Quando mentimos, ficamos mesmo com “Nariz de Pinóquio”


Quando mentimos, ficamos mesmo com “Nariz de Pinóquio”

Não, o nariz não cresce quando mentimos. Ainda assim, uma equipe de pesquisadores voltou a testar o “efeito Pinóquio” e concluiu que o nariz muda de temperatura.

Pinochio 72

Afinal, a história do Pinóquio, escrita por Carlo Collodi, não é assim tão surreal. Através da utilização da termografia, os pesquisadores têm observado que, quando uma pessoa mente, o nariz não cresce, mas muda de temperatura.

Uma equipe espanhola voltou a testar o “efeito Pinóquio” em laboratório e concluiu que a mentira faz com que a temperatura do nariz desça entre 0,6 e 1,2 graus Celsius. O artigo científico foi publicado no Journal of Investigative Psychology and Offender Profiling.

A termografia é uma técnica que se baseia na temperatura corporal, criada durante a Segunda Guerra Mundial para detectar o inimigo.

Atualmente, além da equipe de Emilio Gómez Milán, da Universidade de Granada, há grupos de cientistas na Itália e nos Estados Unidos que procuram detectar mentiras através da termografia, mas com teorias diferentes e centradas em regiões da pele distintas.

Em relação a esta equipe espanhola, os resultados dos estudos ficaram conhecidos em 2012. A tese de doutorado de Alejandro Moliné, supervisionada por Emilio Gómez Milán, adiantava que quando fazíamos um grande esforço mental, a temperatura do nariz descia. Mas e quando mentimos, o que acontece?

Para responder à questão, a equipe de pesquisadores desenvolveu um modelo, com algumas melhorias a nível da precisão, de forma a detectar as mudanças da temperatura da pele através de radiação infravermelha.

Segundo o Público, foram feitas quatro experiências com 60 estudantes de psicologia sobre os marcadores térmicos do medo, da ansiedade ou da mentira.

Nessa última experiência, em uma das tarefas o grupo experimental tinha que fazer uma chamada telefónica de três ou quatro minutos para uma pessoa próxima e contar uma mentira, enquanto que os participantes do grupo de controle fizeram uma ligação em que descreviam o que viam na tela de um computador.

“Em ambos os casos, as circunstâncias fizeram os participantes se sentir ansiosos, mas o grupo experimental vivenciou o chamado ‘efeito Pinóquio’ no nariz e o efeito do esforço mental na testa, o que permitiu monitorar a mentira”, explica Emilio Gómez Milán em comunicado da Universidade de Granada.

“Quando mentimos, a temperatura da extremidade do nariz desce entre 0,6 e 1,2 graus Celsius, enquanto a da testa sobe entre 0,6 e 1,5 graus. Quanto maior for a diferença na temperatura entre as regiões faciais, maior será a probabilidade de a pessoa estar mentindo”, indica o pesquisador.

Isso acontece porque, quando alguém mente, fica mais ansioso, fazendo com que a temperatura do nariz se altere. Além disso, como tem que planejar a mentira, a atenção se concentra na zona da testa, aumentando a temperatura dessa região.

A equipe gostaria de ver o sistema aplicado em entrevistas da polícia, aeroportos ou campos de refugiados. “Dessa forma, poderia ser possível detectar se um criminoso está mentindo ou saber as verdadeiras intenções das pessoas que atravessam a fronteira entre dois países”, conclui Emilio Gómez Milán.