De Araraquara à Santa Cruz do Sul: a epopeia grená


De Araraquara à Santa Cruz do Sul: a epopeia grená

 epopeia grenaSaga durou três dias de carro

O final de semana foi de uma gigantesca maratona. Outros preferem a tradicional (virou tradição, né?) maratona em Netflix, outros por filmes com pipoca no sofá de casa ou até mesmo no cinema. Mas optei pela maratona no Sul do país, onde a Ferroviária enfrentou a equipe do Avenida, em Santa Cruz do Sul. Um confronto inédito para o clube e para nós que acompanha a Locomotiva.

A saga até o Rio Grande do Sul contou com as presenças do repórter Marcos Chiocchini, da equipe Os Campeões da Bola, e do cinegrafista, Hélter Torres, e minha, representando o portal RCI Araraquara, que se iniciou na madrugada de sexta-feira para sábado, de carro, até a cidade de Gramado, o nosso porto seguro para o descanso sagrado.

Já havia passado pela cidade em 2011, quando ainda cursava Jornalismo na Uniara e fui com a turma de Publicidade e Propaganda para o festival da área que aconteceu por lá. Deu para matar as saudades e de lembranças maravilhosas, revendo o Lago Negro, a igreja e a Aldeia do Papai Noel, sem contar o frio maravilhoso que aquele ambiente proporciona. Sim, sou um apreciador do frio.

Voltando ao que interessa, Helter Torres não largou o osso e foi o “motorista da rodada” desde a saída da Morada do Sol até a “cidade europeia”. Foram 19 horas no volante, chegando sábado à noite no nosso primeiro destino. A pousada La Lavande foi o lugar escolhido para ficarmos abrigados durante este curto espaço de período.

Caso queira visitar a cidade, fica a dica para se hospedar porque vale muito a pena e de ótima localização. O que roubou a cena foi no café da manhã, quando tive a oportunidade de apreciar um dos melhores pratos que eu já comi na vida e de forma inédita: o pão de queijo em formato de waffle, e com mel complementando o apetitoso prato. Eu nem preciso dizer que este foi o nosso almoço. Afinal, teve repeteco descarado, né?

Partimos então para mais três horas de viagem rumo a Santa Cruz do Sul. Mais uns quilômetros à frente estaríamos chegando no Uruguai, o que não seria nada ruim.

Por volta das 13h, chegamos ao palco do jogo, o estádio dos Eucaliptos, local que abriga um pouco mais de 3 mil espectadores. Pequeno, muito simples, mas de boa acomodação e de excelente receptividade por parte do staff do Nida.

epopeia grena3Entrada do Estádio dos Eucaliptos, em Santa Cruz do Sul

Quando chegamos no local, Marquinhos e Baianinho, massagista e roupeiro da Ferroviária, já estavam deixando o vestiário no esquema para a chegada dos jogadores, separando as peças de roupas e calçados dos atletas. Em compensação, fui recebido com borrachudos na perna. Nada que um gelo resolvesse. Tudo normal e dentro do planejado.

Observando ainda mais o palco do jogo, vi que não seria nada fácil, ainda mais por ser acanhando e com um gramado bastante irregular. Havia áreas que com apenas uma pisada, o pé afundava dentro da grama. Como todos que acompanham a Ferroviária sabem, a principal arma é o toque de bola. Ali já percebi que isso atrapalharia muito, sem contar o desempenho físico que seria prejudicial demais aos jogadores.

A chegada do time deu a entender isso. O ex-jogador e diretor de futebol, Roque Jr., percorreu, praticamente todo o gramado dos Eucaliptos e viu que o time teria um adversário a mais no jogo.

Perto da hora da bola rolar, portões foram abertos para os torcedores adentrarem a sua segunda casa. O Avenida fez promoção para o Dia das Mães, com a mamãe acompanhada de seus filhos(as), entrava de graça. O público respondeu as expectativas e esteve com um bom número presente.

Pelo lado grená, a plateia teve presenças ilustres. Os pais do treinador Vinícius Munhoz estavam presentes. A distância de Santa Cruz do Sul e Santa Maria são pouco mais de 140 km e isso ajudou em suas presenças.

Além deles, esteve presente também o ex-zagueiro Thiago Costa, onde jogou por cinco anos na Ferroviária, sendo campeão da Copa Paulista 2006 e do acesso da Série A3 para a Série A2 do Paulista, em 2007. Curiosamente, trabalha no Inter de Santa Maria, ex-clube do treinador grená, como auxiliar-técnico.

epopeia grena4Sede do Avenida fica anexa ao estádio

Com a bola rolando, os presentes viram um jogo de um nível técnico muito baixo e de poucas emoções. Como já citei anteriormente, o gramado irregular iria atrapalhar e muito a Ferroviária, e o que eu pensava aconteceu. O jogo foi decidido através de uma bola parada. Canhoto mostrou que o seu pé esquerdo estava calibrado e mandou um chute forte, no canto direito de Gabriel Leite, sem chances defesa.

O Dia das Mães de Canhoto foi recompensado com um beijo nela, no alambrado, mas o pífio árbitro da partida, Felipe Duarte Varejão, lhe puniu com um cartão amarelo, no qual o apitador deveria ser punido por tamanha vergonha do ato. No lance do gol do Nida, nem falta acabou sendo.

Além deste lance, senhor Varejão apareceu em outros momentos, invertendo faltas, coisas que o capixaba não precisaria disso para se promover no jogo. Aos 17 minutos, ele conseguiu anular um gol legalíssimo da Ferroviária, que poderia dar o empate na partida. Arbitragem sempre será debatida até o fim de nossas vidas, com ou sem VAR.

Com o fim do jogo, ficou o gosto amargo que queríamos a vitória por toda a distância percorrida. O empate não seria ruim também, mas os três pontos colocariam a Locomotiva em outro patamar na Série D.

Creio que a minha maior frustração durante este percurso foi ter que enfrentar problemas com a Internet e não pude participar da coletiva. Forma mais de uma hora de tentativas de postar o relato do jogo no portal, mas o 4G não cooperou. A notícia no site saiu quando o ônibus havia partido do estádio. A cobertura não saiu do jeito que eu queria. Mas aprendi que no mundo de um jornalista, o imprevisto sempre está presente, já o desânimo, não.

E a volta para Araraquara enalteceu este espírito. Temos que continuar batalhando para conseguirmos o que é nosso. A Ferroviária e eu não conseguimos a perfeição neste final de semana, mas haverá o próximo para conseguirmos isso. Foram 3.234 quilômetros percorridos em três dias, com pouco tempo de descanso, mas são histórias e relatos, bons ou ruins, que ficarão eternizados em nosso mundo.

Agradeço imensamente aos amigos Helter e Marquinhos pela nossa grande aventura, a Renata (gremista roxa) e equipe do La Lavande por toda atenção dada a nós, e esperamos escrever mais histórias do lado da Ferroviária sempre que existirmos por aqui.

Que venham mais maratonas.

epopeia grena2Rafael Zocco, Helter Torres e Marcos Chiocchini em Gramado

Crédito das fotos: Rafael Zocco - Arquivo Pessoal

Texto publicado por: Rafael Zocco
Jornalista e freelancer do portal RCI Araraquara