CR Feminino completa 15 anos com taxa de reincidência de 4%


CR Feminino completa 15 anos com taxa de reincidência de 4%

Informação foi dada durante Jornada de Empregabilidade e Cidadania, que contou com a participação do Legislativo Municipal

Empregabilidade Fem

A privação da liberdade pode ser a saída para quem busca um recomeço. Pelo menos esta é a realidade do Centro de Ressocialização (CR) Feminino de Araraquara, que completa 15 anos em 2019 mantendo a taxa de reincidência em apenas 4 %. Parte desse sucesso está nos próprios requisitos para admissão na instituição, conforme foi explicado na quarta edição da Jornada de Empregabilidade e Cidadania, que começou na segunda (11) e segue até o dia 15 de março, com diversas ações de cidadania e saúde. O vereador Delegado Elton Negrini (PSDB) representou a Câmara Municipal no evento promovido pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).

De acordo com a diretora do CR, Jucélia Gonçalves, a entidade segue uma resolução que determina os seguintes critérios de admissão: primariedade, penas não superiores a 10 anos e família residir em um raio de no máximo 200 km da unidade. “Outra questão é a obrigatoriedade de trabalho e estudo”, afirma.

Mas há outro motivo para que 96% dessas mulheres não voltem a praticar delitos: o tratamento humanizado. “Quando fui para penitenciária presa por tráfico de drogas pensei que fosse o fim, porque ali éramos tratadas como apenas matrículas. Mas no CR eu sou chamada pelo nome, aprendi a cuidar de mim e a me valorizar. Aqui, eu me libertei do cárcere da minha mente”, relata a reeducanda Kelly Ferreira Santos.

Com capacidade para 96 reeducandas, o CR abriga atualmente 90 mulheres, a maioria delas detidas por tráfico de drogas, levadas muitas vezes pelo irmão, filho ou companheiro, e aprendem ali, reclusas, o que é um ofício, uma profissão.  “Estamos hoje com 100% da nossa população empregada. A Prefeitura emprega no semiaberto, e temos quatro empresas dentro da unidade”, explicou Gonçalves. Uma dessas instituições conta com 20 reeducandas para a costura de calçados. “Inclusive, nós costumamos empregar quem sai daqui”, garante o gerente industrial de uma confecção de calçados Gerson Luiz Rorato.

Além de renda e remissão de um dia de pena a cada três trabalhados, a experiência profissional contribui para a reinserção social. “É uma parceria muito importante com o Poder Público Municipal que visa à diminuição da reincidência criminal”, analisa a coordenadora de Recursos Humanos da Prefeitura, Flávia Grecco Dótoli. Também participaram da solenidade de abertura representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Defensoria Pública e do Ministério Público do Estado de São Paulo.

Transformação

Trabalhos voluntários também são bem-vindos. Recentemente, as reclusas entregam na maternidade Gota de Leite polvos de crochê confeccionados em parceria com o Transformação, grupo de apoio às perdas gestacionais e neonatais que atua em Araraquara. O contato foi intermediado pelo vereador Elton Negrini. “Já que nós usávamos o crochê como terapia na recuperação das nossas perdas, pensamos em integrar também as reeeducandas na confecção desses polvos, utilizados no acolhimento de bebês em período de UTI”, disse uma das fundadoras do grupo, Perla Cristina Frangioti.

O vereador fez um balanço positivo do evento. “Neste convívio momentâneo propiciado pela jornada, nós percebemos que aqui, de fato, há uma transformação. Enquanto representante do Poder Legislativo, afirmo que estou empenhado na promoção de políticas públicas para a reinserção social deste grupo de mulheres recolhidas”, refletiu Negrini