Eduardo Bolsonaro assume comando do PSL em São Paulo


Eduardo Bolsonaro assume comando do PSL em São Paulo

Filho do presidente substitui o senador Major Olímpio, que alega falta de tempo para cuidar do partido. Segundo ele, há muitos políticos interessados em assumir o PSL nos municípios para negociar com os políticos tradicionais.

Novo Presidente PSL

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) anunciou que assumirá o comando do PSL em São Paulo , em substituição ao senador Major Olímpio (PSL-SP), que renunciou ao cargo no último sábado. Em texto divulgado, o filho do presidente Jair Bolsonaro disse que sua principal missão será organizar o partido para as eleições municipais de 2020 e escolher quadros locais identificados "com as bandeiras conservadoras e de economia liberal".

"Aqueles que se destacam no trabalho com as bases merecem a chance de disputar as eleições. Não há outro interesse nesta empreitada", escreveu o filho do presidente, citando o deputado estadual e líder do PSL na assembleia paulista, Gil Diniz (PSL-SP), como principal auxiliar na missão de conectar o partido com os municípios paulistas.

Segundo Olímpio, a mudança no comando do partido no estado estava prevista desde o fim das eleições, prazo que ele teria acertado com a direção nacional do partido como limite para sua participação mais efetiva na direção.

— Não teve conflito, pressão, nada. Minha agenda de senador virou uma tragédia, administrar um partido é uma mão-de-obra danada, há disputa por espaço em todas as cidades — disse o senador, que alega precisar de mais tempo para se dedicar ao mandato.

No entanto, um grupo de parlamentares vinha pressionando o partido pela mudança, alegando dificuldades de interlocução com o então presidente da legenda. A mudança também é interessante para o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que é um antigo desafeto de Olímpio. Atualmente, a bancada do PSL é a maior da Assembleia Legislativa de São Paulo, com 15 parlamentares.

Desde o início do governo, o senador também tem sido crítico a decisões da administração Bolsonaro, apesar de apoiar o presidente. O primeiro desgaste ocorreu após a publicação de decreto para flexibilizar o porte de armas no país, que frustrou a militância pró-armas e o próprio Olímpio, que consideraram a iniciativa tímida.

Nas últimas semanas, o senador também vem sendo a principal voz a criticar a relação dos ministros com políticos da base aliada, em especial os do PSL. Ele demonstra, ainda, impaciência com a escolha da reforma da Previdência como pauta única. O senador defende atenção a outros temas, o que também tem gerado desgaste interno.

De acordo com Olímpio, um dos maiores desafios do novo presidente da legenda será garantir candidaturas competitivas a prefeitos nos municípios, onde, segundo ele, há muitos políticos interessados em assumir o PSL local para negociar com os políticos tradicionais, em vez de lançar novos projetos. O desafio é identificar candidaturas alinhadas ao novo projeto do partido.

"Sei que é difícil controlar tantos municípios e qualquer problema que envolva a menor das cidades há risco de respingar no nome Bolsonaro. Porém, estamos diante de uma oportunidade única", escreveu Eduardo Bolsonaro em suas redes.

Até o início da semana, Eduardo era o vice-presidente do partido no estado. Em função de irregularidades nas contas estaduais, o PSL-SP está impedido de receber recursos do fundo partidário até novembro de 2019.

Na capital paulista, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) tem sido apresentada em pesquisas de intenção de voto como possível nome na disputa à prefeitura em 2020. Ela tem dito que ainda não tomou uma decisão sobre o tema e dedica-se à função de ser líder do governo no Congresso Nacional. Atualmente, ela está à frente das negociações da reforma da Previdência.

— A Joice é para nós, hoje, o quadro mais competitivo do partido. A única certeza que eu tenho é que eu não serei candidato. Se ela quiser, deverá procurar o novo presidente e dizer que se coloca como pré-candidata — afirmou Olímpio.