“Estamos chegando ao final de uma safra de etanol e de açúcar. Uma safra difícil, desafiadora. Os mais velhos me falam que só teve um ano parecido com esse, que foi em 1986. Alguns disseram que nunca teve um ano difícil feito esse. Mas, a gente não pode desistir da cana“, afirma o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana Unida), Pedro Campos Neto, que mantém fortes laços de cordialidade com o presidente da Canasol, Luís Henrique Scabello de Oliveira, em Araraquara.
“Tem um ditado que diz: é doce, mas não é mole não. E o que a gente tem que fazer? A gente tem que reduzir custos, enxugar onde puder, da porteira para dentro, que é onde depende da gente, e aumentar o que puder na nossa produtividade.”
“Há uma boa perspectiva para o etanol e é preciso enxergar esse horizonte”, afirmou ele.
Segundo o dirigente canavieiro, o produtor precisa mecanizar sua lavoura e baixar os custos de mão de obra e acreditar no potencial da cana e num futuro promissor.
“Há uma reação do etanol em relação à safra passada que reagiu bem desde o início da safra. Se a gente puder comparar os números, hoje a viabilidade de fazer etanol e fazer açúcar não se compara”, reitera.
“O etanol, além de mais barato de fazer, está remunerando bem mais. Temos alguns gargalos, desafios, que é o etanol de milho, que é um caminho sem volta. E a gente não pode ser contra, a gente tem que aprender a conviver com ele e procurar ampliar mercado.”
Ainda de acordo com ele, as notícias das últimas semanas, principalmente na semana passada, são bem positivas.
“Me refiro ao começo dos testes do biobuncker , além do SAF, que é o combustível de aviação. Mas, o combustível de navio, biobunker, que é a sigla que é denominada, vai ser o principal consumo desse etanol brasileiro.”
PERSPECTIVAS PARA O SETOR CANAVIEIRO
O dirigente canavieiro lembra que a produção do Brasil hoje é, aproximadamente, 40 bilhões de litros, 30 de cana e 10 de milho.
“Se os navios fossem 100% abastecidos com etanol a gente só tinha condições de abastecer 10% da frota que existe hoje no mundo. Então, eu vejo com bons olhos o futuro do setor”, finaliza Pedro Neto.