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Filemon Perez: História e Memória Fotográfica em Araraquara, século XIX

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Por José Pedro Renzi

A pesquisa do sociólogo Luiz Flávio de Carvalho Costa, publicada em livro: Fotografia e Memória em Araraquara, em 2015, revela a presença do cidadão Filemon Pérez, fotógrafo e lambe-lambe, em Araraquara, nos anos finais do século XIX.

Afirma Carvalho Costa: “Em 1895, Pérez já tinha um estúdio em Araraquara, o “Photographia Pérez”, situada na Rua São Bento, em frente à igreja Matriz. Na ultima década dos Oitocentos, Filemon Pérez fazia trabalho de estúdio em Araraquara e em São Carlos. No entanto, podemos dizer que Pérez era principalmente um fotógrafo de rua. Incansável subindo em torres e percorrendo a cidade e distritos vizinhos, por ele podemos conhecer fragmentos de Araraquara de valor inestimável.”

“Ainda, o nosso fotógrafo pioneiro também direcionou sua objetiva para o interior da região, deixando um trabalho valioso para a reconstrução do nosso mundo rural. Isso pode ser apresentado nos seus vários registros de cafezais, casarões, terreiros, colônias, trabalhadores agrícolas e fazendeiros, animais, tecnologia e paisagem rural, material recolhido no Álbum de Araraquara, organizado e editado por Antonio M. França, em 1915. “Este raro e valioso álbum foi reeditado na década de 1970, de forma notável, pelo jornalista Paulo A.C. Silva.”

Assim continua Carvalho Costa: “As cenas urbanas oferecidas por Pérez das décadas iniciais do século XIX são encantadoras: com poucas edificações altas e arborização contida, Araraquara se deixa mostrar com horizontes e amplitude. Pérez gostava de fotografar esquinas e sublinhar perspectivas e parecia interessado tanto nos monumentos, quanto no cotidiano, brindando-nos com a oportunidade de rever a nossa vida social em tempos já distantes.

E mais: aquele retratista da passagem do século não estava sozinho. Compartilha com seu ofício com outras figuras, alguns fotógrafos lambe-lambes que também perambulavam pelas ruas de Araraquara.

Um deles era o Muzzi, que com outro lambe-lambe negro (de nome perdido), marcava pontos nas portas laterais da igreja matriz, á espera de batizados, casamentos e passantes. (2)”.

José Pedro Renzi, é professor, sociólogo e poeta