O dono da Reag Investimentos João Carlos Mansur, que detém a concessão do Gigantão, Arena da Fonte Luminosa e o CEAR (Centro de Eventos) em Araraquara, é o novo alvo da Polícia Federal que cumpre nesta quarta-feira (14) mandados de busca e apreensão em endereços do empresário na capital paulista.
Segundo consta Mansur está envolvido na Operação Compliance Zero, que apura a suposta concessão de créditos fraudulentos do Banco Master, que se transformou em assunto internacional nas últimas semanas. O fundador e ex-executivo da Reag Investimentos Mansur, o dono do Master, Daniel Vorcaro, seu pai, Henrique Vorcaro, seu cunhado, Fabiano Zettel, e o empresário Nelson Tanure também tiveram os endereços vasculhados por agentes da PF, nesta manhã.
Com passagens por grandes empresas, Mansur fundou a Reag em 2012, que se tornou em poucos anos uma das maiores gestoras independentes de fundos do Brasil. A Reag cresceu num ritmo acelerado, através da aquisição de mandatos de fundos exclusivos – usados, por exemplo, para administração de patrimônio e geralmente com apenas um cotista.
Mansur também construiu a reputação de ser um dos empresários mais influentes na interseção entre o mercado financeiro e o futebol brasileiro, desembolsando cifras bilionárias nesses negócios. Ele é conselheiro influente no Palmeiras, gestor das finanças do estádio do Corinthians e articulador de investimentos bilionários em clubes como Juventus e Portuguesa.
EM ARARAQUARA, O PODER DE MANSUR

João Carlos Mansur, através de suas empresas como a REAG Investimentos e a REVEE, tem um papel central na administração e revitalização da Arena da Fonte (Fonte Luminosa) em Araraquara, com um projeto de transformação em um complexo multiuso inspirado no Allianz Parque, envolvendo a concessão e gestão do estádio e do complexo esportivo. A REVEE, ligada a Mansur, venceu a licitação para gerir o local por décadas, com a REAG atuando no projeto e experiência em gestão de arenas.
A REVEE, empresa ligada a João Carlos Mansur, assumiu a concessão da Arena da Fonte, Gigantão e CEAR por cerca de 30 anos, visando transformá-la em um centro de entretenimento e eventos. A empresa ganhou essa concessão no governo municipal anterior em que era prefeito Edinho Silva, hoje presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores).
Mansur e sua equipe trouxeram a experiência de sucesso do Allianz Parque para o projeto de Araraquara, visando replicar o modelo de arena multiuso. Isso pelo menos é o que está sendo proposto. Com imbróglio criado, o Gigantão está de portas fechadas para utilização das equipes esportivas que defendem a cidade, bem como eventos oficiais, por determinação do Ministério Público que estaria exigindo reformas no complexo esportivo.
No caso da Arena da Fonte, o projeto prevê investimentos para modernizar o estádio, transformando-o em um complexo para shows, jogos e outros eventos, aproveitando a infraestrutura existente.
Já a atuação de Mansur e da REAG no setor de arenas e futebol é ampla, incluindo gestões em outros estádios e negociações de SAFs, gerando visibilidade e também questionamentos em investigações da PF, que a REAG tem refutado.
Em resumo, a parceria entre João Carlos Mansur (através da REAG e REVEE) e a gestão da Fonte Luminosa é um projeto ambicioso para modernizar e rentabilizar o complexo esportivo de Araraquara.
O HISTÓRICO DE MANSUR
Mansur ocupou a posição de líder do Conselho de Administração da companhia. Na Faria Lima, ele era visto como um “empreendedor audacioso”, termo utilizado por gestores para descrever alguém que se arrisca em oportunidades mais ousadas no mercado. Além disso, sua expertise em auditoria é destacada pelos competidores como um ponto forte, uma vez que ele tem a habilidade de detectar possíveis vulnerabilidades em relatórios financeiros dos fundos.
Dentro do seu grupo de amigos, encontra-se o banqueiro Daniel Vorcaro, que é proprietário do Banco Master. Vale ressaltar que a Reag também gerencia alguns fundos do Master.
Em setembro, após ser um dos focos da Operação Carbono Oculto, que visa combater o crime organizado, a administradora Reag Investimentos divulgou a venda de sua participação majoritária e a renúncia de João Carlos Mansur do cargo de presidente do Conselho de Administração.
As apurações realizadas pela Carbono Ocutlo revelaram anomalias em diferentes fases da produção e distribuição de combustíveis no Brasil, além de um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que pode atingir bilhões, com a participação de fintechs, fundos de investimento e outras instituições do setor financeiro.
Algumas das acusações relacionadas ao Master foram detectadas pela BC e encaminhadas para os investigadores. Um aspecto que se destacou foi uma série de transações rápidas realizadas por uma rede de fundos de investimento sob a administração da gestora Reag DTVM, decorrentes de um empréstimo de R$ 459 milhões proveniente da instituição financeira liderada por Daniel Vorcaro.
Dentre os fundos que apresentaram movimentações atípicas, destaca-se o Fundo Brain Cash, que, em apenas 20 dias de operação, obteve R$ 450 milhões por meio de um empréstimo do Master e aumentou seu patrimônio em aproximadamente 30 mil vezes. Essa operação foi a única contabilizada no relatório financeiro do fundo, que contava com apenas um acionista: uma companhia liderada por uma ex-funcionária da Reag.
Conforme o Banco Central, os financiamentos questionáveis do Master, oferecidos a 36 empresas, foram investidos em um fundo com retorno financeiro.