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Mansur, da Reeve, concessionária do Gigantão, Cear e Arena da Fonte busca delação no caso Master

A Reeve é uma empresa focada em gestão de instalações de eventos e faz parte do grupo econômico da REAG Investimentos, ambas ligadas a João Carlos Mansur, que assumiu a concessão da Arena da Fonte, Gigantão e CEAR por cerca de 30 anos, visando transformá-la em um centro de entretenimento e eventos. Tem negócios enraizados com o Banco Master.

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João Carlos Mansur, dono da empresa que ganhou a licitação em Araraquara (Foto: O Bastidor)

O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag Investimentos, negocia um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo no âmbito da operação Carbono Oculto, que investiga a relação do Primeiro Comando da Capital (PCC) com fraudes no setor de combustíveis.

Na trajetória de Mansur está a Reeve (Reeve S.A. ou Revee), empresa focada em gestão de instalações de eventos e faz parte do grupo econômico da REAG Investimentos. A Reeve foi listada na B3 como uma unidade da gestora, tornando-se a terceira empresa do Grupo REAG a acessar a bolsa de valores (B3SA3). O grupo tem o poder de concessão do Gigantão, Arena da Fonte e o Centro de Eventos (CEAR), por cerca de 30 anos.

Segundo uma autoridade próxima às negociações da delação, Mansur já havia demonstrado interesse em colaborar com as investigações no fim do ano passado, quando seu celular foi apreendido pela PF. Seu advogado, José Luis Oliveira Lima, o Juca, chegou a tentar um acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo, mas as tratativas não avançaram.

Hoje, Juca também é o advogado que negocia a delação de Vorcaro com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal. A possibilidade de uma delação conjunta é considerada por algumas autoridades. No entanto, há um possível conflito de competência que deverá ser analisado após a eventual formalização dos acordos.

Uma eventual delação de Mansur serve a três investigações. Além da Carbono Oculto, Mansur é investigado também por diversas operações que inflaram o patrimônio do Banco Master por meio de fundos de investimento geridos pela Reag. Também é investigado na operação Quasar, que apura os fundos usados pelo PCC para ocultar dinheiro sujo.

Por enquanto, a eventual colaboração de Mansur com o MP-SP deve se concentrar nas relações comerciais com os investigados da operação Carbono Oculto, entre eles os empresários foragidos Mohammad Hussein Mourad, dono da Copape, e Roberto Augusto Leme Silva, conhecido como Beto Louco.

As negociações envolvendo Mansur ainda estão em estágio menos avançado do que as de Mourad e Beto Louco, que tratam de acordos há mais tempo. Os dois seguem foragidos.

O PODER DE MANSUR EM ARARAQUARA

João Carlos Mansur, através de suas empresas como a REAG Investimentos e a REVEE, tem um papel central na administração e revitalização da Arena da Fonte (Fonte Luminosa) em Araraquara, com um projeto de transformação em um complexo multiuso inspirado no Allianz Parque, envolvendo a concessão e gestão do estádio e do complexo esportivo. A REVEE, ligada a Mansur, venceu a licitação para gerir o local por décadas, com a REAG atuando no projeto e experiência em gestão de arenas. 

A REVEE, empresa ligada a João Carlos Mansur, assumiu a concessão da Arena da Fonte, Gigantão e CEAR por cerca de 30 anos, visando transformá-la em um centro de entretenimento e eventos.

Mansur e sua equipe trouxeram a experiência de sucesso do Allianz Parque para o projeto de Araraquara, visando replicar o modelo de arena multiuso. Isso pelo menos é o que está sendo proposto. Com imbróglio criado, o Gigantão está de portas fechadas para utilização das equipes esportivas que defendem a cidade, bem como eventos oficiais, por determinação do Ministério Público que estaria exigindo reformas no complexo esportivo.

No caso da Arena da Fonte, o projeto prevê investimentos para modernizar o estádio, transformando-o em um complexo para shows, jogos e outros eventos, aproveitando a infraestrutura existente.

Já a atuação de Mansur e da REAG no setor de arenas e futebol é ampla, incluindo gestões em outros estádios e negociações de SAFs, gerando visibilidade e também questionamentos em investigações da PF, que a REAG tem refutado. 

Em resumo, a parceria entre João Carlos Mansur (através da REAG e REVEE) e a gestão da Fonte Luminosa é um projeto ambicioso para modernizar e rentabilizar o complexo esportivo de Araraquara. 

O HISTÓRICO DE MANSUR

Mansur ocupou a posição de líder do Conselho de Administração da companhia. Na Faria Lima, ele era visto como um “empreendedor audacioso”, termo utilizado por gestores para descrever alguém que se arrisca em oportunidades mais ousadas no mercado. Além disso, sua expertise em auditoria é destacada pelos competidores como um ponto forte, uma vez que ele tem a habilidade de detectar possíveis vulnerabilidades em relatórios financeiros dos fundos.

Dentro do seu grupo de amigos, encontra-se o banqueiro Daniel Vorcaro, que é proprietário do Banco Master. Vale ressaltar que a Reag também gerencia alguns fundos do Master.

Em setembro, após ser um dos focos da Operação Carbono Oculto, que visa combater o crime organizado, a administradora Reag Investimentos divulgou a venda de sua participação majoritária e a renúncia de João Carlos Mansur do cargo de presidente do Conselho de Administração.

As apurações realizadas pela Carbono Ocutlo revelaram anomalias em diferentes fases da produção e distribuição de combustíveis no Brasil, além de um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que pode atingir bilhões, com a participação de fintechs, fundos de investimento e outras instituições do setor financeiro.

Algumas das acusações relacionadas ao Master foram detectadas pelo BC e encaminhadas para os investigadores. Um aspecto que se destacou foi uma série de transações rápidas realizadas por uma rede de fundos de investimento sob a administração da gestora Reag DTVM, decorrentes de um empréstimo de R$ 459 milhões proveniente da instituição financeira liderada por Daniel Vorcaro. (Informações do Bastidor)