O primeiro caça F-39 Gripen montado em território brasileiro deverá ser apresentado oficialmente no dia 25 de março, durante uma cerimônia prevista nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, distante cerca de 35 Km de Araraquara, no interior de São Paulo. A aeronave já está concluída do ponto de vista industrial, mas ainda passará pelo voo inaugural e por ensaios adicionais antes da entrega à Força Aérea Brasileira, etapa considerada fundamental para validar todos os sistemas e garantir a prontidão operacional do novo vetor.
O evento deve reunir integrantes do alto comando da Aeronáutica, representantes da indústria e autoridades políticas, consolidando um marco importante do programa FX-2, que prevê a aquisição total de 36 caças Gripen para substituir aeronaves mais antigas e elevar o nível tecnológico da aviação de combate nacional.
A montagem local é resultado direto do acordo de transferência de tecnologia firmado entre Brasil e Suécia, permitindo que engenheiros brasileiros participem ativamente do desenvolvimento e da produção do caça, algo inédito na história da indústria aeronáutica militar do país.
Atualmente, a FAB já opera uma frota inicial de Gripen baseada principalmente em Anápolis, onde as aeronaves vêm sendo utilizadas em treinamentos, certificações e integração de armamentos. Esses primeiros exemplares foram fabricados na Suécia e transportados por navio até o Brasil, enquanto a linha de montagem nacional evolui para assumir uma parcela crescente do cronograma produtivo. Do total contratado, 15 unidades deverão ser montadas no país, reforçando a capacidade industrial brasileira e ampliando a autonomia em manutenção e futuras modernizações.

O processo de montagem realizado em Gavião Peixoto envolve a integração das principais seções estruturais da aeronave, com peças produzidas tanto no Brasil quanto na Suécia. Após a união dos grandes subconjuntos, o caça passa por testes de alinhamento estrutural, pressurização e vedação dos tanques de combustível, além de receber tratamento anticorrosivo e pintura interna. Na sequência, são instalados cerca de 35 quilômetros de cabos elétricos e centenas de metros de tubulações, bem como superfícies aerodinâmicas como estabilizadores e canards, antes da integração completa dos sistemas eletrônicos e softwares de missão.
Com a aeronave fisicamente concluída, inicia-se a fase de testes funcionais, incluindo a ativação do motor e ensaios em solo que precedem os voos de certificação. Somente após essa etapa o caça poderá ser oficialmente declarado pronto para entrega à FAB, processo que envolve uma série de avaliações de desempenho, segurança e integração de sistemas.
Paralelamente ao avanço industrial, o Gripen vem ampliando suas capacidades operacionais no Brasil. Exercícios recentes incluíram os primeiros lançamentos de bombas em território nacional durante a Operação Thor, realizada na Base Aérea de Natal, com foco na validação da separação segura de armamentos e na precisão de ataques guiados a laser. A campanha representou mais um passo importante na certificação do caça para missões ar-solo, ampliando o leque de emprego operacional da aeronave.
O programa também avançou em outras áreas críticas, como o disparo real do míssil ar-ar de longo alcance Meteor e testes com o canhão interno de 27 milímetros, além da certificação do reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium. Essa integração entre dois projetos estratégicos desenvolvidos com participação brasileira reforça a capacidade de projeção de poder da FAB e amplia significativamente o alcance operacional do Gripen.
Mais do que a apresentação de uma nova aeronave, o primeiro Gripen montado no Brasil simboliza a consolidação de um ecossistema industrial capaz de participar de programas de alta complexidade tecnológica. A expectativa é que a experiência adquirida ao longo do projeto abra caminho para futuras evoluções do caça e possíveis oportunidades de exportação, posicionando o país como um polo relevante dentro da cadeia global de produção e desenvolvimento da plataforma.