O aumento recente no preço dos combustíveis no Brasil, impulsionado principalmente pela entressafra da cana-de-açúcar e pelas variações do petróleo no mercado internacional, já começa a aparecer nos dados regionais. Em Araraquara, o ano de 2025 terminou com alta nos preços do etanol e da gasolina, segundo levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com a pesquisa, realizada em 17 postos de combustíveis do município, em dezembro o etanol subiu 3,66% e a gasolina comum aumentou 1,27%. Já o óleo diesel praticamente não teve seu preço médio alterado (0,08%), enquanto o gás de cozinha apresentou deflação de 0,58% no período. “O comportamento dos preços reflete uma combinação de fatores estruturais e sazonais. No caso do etanol, a entrada na entressafra da cana reduz a oferta justamente em um período de maior demanda. Já para os combustíveis fósseis, vemos um cenário de pressão tributária e custos logísticos que tendem a continuar impactando o bolso do consumidor em 2026”, avalia Maria Clara Kirsch, economista do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara.
No caso da gasolina comum, em dezembro de 2025 o preço médio em Araraquara passou de R$ 5,84 para R$ 5,91, alta de 1,27%. No município, os valores variaram entre R$ 5,28 e R$ 6,49, uma diferença de 22,92% entre o menor e o maior preço encontrados. No ranking dos 97 municípios paulistas avaliados, Araraquara registrou o 87º maior preço médio. Taubaté apresentou o menor preço médio (R$ 5,74) e Barueri, o maior (R$ 6,77).
Gasolina Comum — evolução dos preços mínimo, médio e máximo em Araraquara (jan/25 a dez/25)

O etanol hidratado teve aumento médio de 1,95% em dezembro, passando de R$ 4,01 para R$ 4,15. No município, os preços oscilaram entre R$ 3,59 e R$ 4,64, uma amplitude de 29,25%. No ranking estadual, Araraquara ficou com o 70º maior preço médio entre os 97 municípios avaliados. Araçatuba teve o menor preço médio (R$ 3,93) e Cubatão, o maior (R$ 4,67). Segundo dados consolidados ao longo de 2025, o etanol foi o combustível que mais encareceu no ano, pressionado principalmente pelo fim da safra da cana e pela redução da oferta no período de entressafra. Na parcial da temporada (abril a dezembro de 2025), os indicadores CEPEA/ESALQ também mostram altas de 5,24% no anidro e 5,83% no hidratado em relação ao ciclo anterior (2024/2025).
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“A dinâmica do etanol é muito sensível ao calendário agrícola. Quando a oferta diminui e a demanda segue aquecida, especialmente em períodos de férias e maior circulação de veículos, os preços reagem rapidamente”, explica Bruno Camacho, do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara.
Etanol Hidratado — evolução dos preços mínimo, médio e máximo em Araraquara (jan/25 a dez/25)
O óleo diesel praticamente não apresentou variação em dezembro (0,08%), mantendo o preço médio em R$ 5,93, patamar que vem sendo observado desde agosto. Os valores variaram entre R$ 5,75 e R$ 6,39 no município. Entre os 96 municípios paulistas avaliados, Araraquara aparece com o 64º maior preço médio. A cidade de Lorena teve o menor valor (R$ 5,59) e Avaré, o maior (R$ 6,86).
Óleo Diesel — evolução dos preços mínimo, médio e máximo em Araraquara (jan/25 a dez/25)
Já o GLP (botijão de 13 kg) apresentou queda de 0,58% em dezembro, passando de R$ 117,04 para R$ 116,37. Ainda assim, os preços variaram bastante no município, entre R$ 105,00 e R$ 125,00. No ranking estadual, Araraquara aparece com o 15º maior preço médio entre os 91 municípios analisados. O menor preço médio foi registrado em Lorena (R$ 92,04) e o maior em São Carlos (R$ 130,92).
Gás de Cozinha — evolução dos preços mínimo, médio e máximo em Araraquara (jan/25 a dez/25)
No mercado internacional, apesar dos conflitos geopolíticos, o preço do barril do petróleo tipo Brent apresentou tendência de queda em dezembro, saindo de US$ 64,22 no início do mês, chegando a US$ 59,93 e fechando o período em US$ 61,35, segundo dados do Ipeadata. A ampla oferta global, especialmente com a produção recorde de shale oil (petróleo misto) nos Estados Unidos, contribuiu para conter altas mais expressivas. “Isso mostra que, neste momento, o principal vetor de pressão sobre os preços internos não é o petróleo em si, mas a combinação entre carga tributária, custos logísticos e fatores sazonais da produção de biocombustíveis”, completa Maria Clara Kirsch.
METODOLOGIA
A ANP realiza semanalmente a pesquisa de preços de combustíveis e GLP em 358 municípios brasileiros, com coleta presencial nos três primeiros dias úteis da semana e checagem telefônica. Os dados consolidados apresentam preços mínimos, máximos, médios e desvios-padrão por município, estado, região e país.
Coordenação de pesquisa: Elton Casagrande | Analista de Estudos Econômicos: Maria Clara Kirsch | Pesquisador: Bruno H. Camacho