Teve início nesta quarta-feira (11), em Ribeirão Preto (SP), a 10ª DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, evento que marca o início do calendário de debates do setor bioenergético e reúne lideranças, especialistas, autoridades públicas e representantes de empresas para discutir os rumos da safra 2026/27. O presidente da Canasol, Luís Henrique Scabello de Oliveira, representou na oportunidade a Feplana (Federação dos Plantadores de Cana do Brasil) e o seu presidente Paulo Leal.
Na abertura do encontro, o presidente da DATAGRO, Plínio Nastari, destacou o simbolismo da 10ª edição do evento e ressaltou a importância de um setor que, mesmo diante de oscilações e desafios recorrentes, mantém sua capacidade de adaptação e reinvenção. Em tom institucional, ele cumprimentou os presentes, reforçou a relevância do acontecimento para o planejamento do ano e desejou uma boa safra a todos os agentes da cadeia.
A proposta da conferência, segundo a organização, é justamente reunir o setor para analisar os resultados da safra 2025/26 e projetar o novo ciclo, promovendo discussões sobre temas como mercado nacional e global, sustentabilidade, tecnologia e estratégias de diversificação no uso de biocombustíveis.
VISÃO ESTRATÉGICA
O CEO da Orplana, José Guilherme, também reforçou, em sua participação, a importância de o setor manter uma visão estratégica diante de um cenário que exige adaptação constante. Em linha institucional, destacou que a cadeia da cana, do açúcar e do etanol convive historicamente com oscilações de mercado, mudanças de contexto e novos desafios, mas tem como marca a capacidade de se reinventar, inovar e seguir avançando.
Mário Campos, presidente da SIAMIG, chamou atenção para a necessidade de preservar debates importantes do setor em um ano eleitoral, defendendo que determinadas discussões avancem no momento mais adequado. Ele também reforçou o apelo para que haja avanço na lei de cultivares, destacando que a cana precisa de uma atualização que amplie o prazo de proteção das variedades, estimule o desenvolvimento de novos materiais e fortaleça a competitividade do setor nos próximos anos.
MAIS ENERGIA RENOVÁVEL
Já o deputado federal Arnaldo Jardim fez um balanço dos principais temas debatidos pelo setor no último ano e destacou avanços considerados decisivos para a cadeia sucroenergética. Entre eles, citou a consolidação do programa Combustível do Futuro, com a ampliação da mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%, além do fortalecimento da pauta dos biocombustíveis no debate internacional durante a COP30.
O parlamentar também apontou temas que ainda exigem mobilização, como a aprovação da lei dos cultivares, o avanço do projeto dos safristas e a defesa do RenovaBio. Arnaldo Jardim afirmou que o país precisa seguir criando condições para ampliar a participação do etanol em novas frentes, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e o combustível marítimo, além de fortalecer a articulação entre Congresso, entidades e cadeia produtiva para garantir competitividade e segurança regulatória ao setor.
A PARTICIPAÇÃO DA FEPLANA
Falando em nome de Paulo Leal, presidente da Feplana e da própria Canasol, Luís Henrique Scabello em sua mensagem ressaltou que – este ciclo começa sob o signo da Superação. “Se olharmos para trás, o setor já enfrentou desafios severos, como as oscilações do clima e do mercado que testaram nossa resiliência. E dessa vez, haja resiliência”, exclamou o dirigente.
O diretor financeiro da Feplana lembrou que – há 85 anos, a federação representa milhares de produtores de cana de todo o Brasil, nas mais diversas situações, seja de tamanho de escala de produção, seja de ambiente produtivo, ou seja de ambiente negocial e econômico.
“É o pé na terra e o suor do trabalho do fornecedor de cana, que contribui para produzir o açúcar que alimenta o mundo e o etanol que descarboniza nossas cidades”, ressaltou.
Mais adiante fez questão de deixar claro que nesta safra, o foco do produtor deve estar na produtividade, na racionalidade e na busca da sustentabilidade econômica.
Ele ainda reafirmou o compromisso da federação com o futuro: “Em um mundo que clama por soluções climáticas e energéticas, a Feplana acredita que o produtor de cana brasileiro oferece a resposta mais rápida e mais eficiente para esses desafios. Nós somos parte da solução.”
E ao encerrar, Luís Henrique disse estar convicto que – a conferência da Datagro tem que ser entendida como espaço para alinhar estratégias. “Que possamos sair daqui não apenas com números e projeções, mas com a certeza de que a união entre produtores, indústria e governo é o que manterá o Brasil na liderança global do setor.”