Quatro estudantes da UNESP (Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) ocuparam a Tribuna Popular da Câmara Municipal nesta terça-feira (12) para um ato de protesto contra agressões que teriam sido vítimas no dia anterior e, cometidas por um pré-candidato a deputado Federal por Ribeirão Preto – Hagara Espresola Ramos, apelidado “Hagara do Pão de Queijo”.
Hagara é um empresário, influenciador e político conservador de Ribeirão Preto (SP), conhecido por vídeos de fiscalização e críticas contundentes à administração municipal. Em 2026, ele já vem atuando como pré-candidato a deputado federal pelo Avante.
Contra ele pesa neste momento a denúncia de ter invadido o Campus da Unesp em Araraquara durante movimento pacífico dos estudantes visando reivindicar melhorias no restaurante da universidade e no próprio no campo educacional, sendo a contratação de professores uma das maiores exigências do corpo estudantil.
Em dezembro de 2025, o Ministério Público denunciou Hagara por crimes cometidos durante uma fiscalização sanitária no Mercado Municipal, rejeitando acordo de não persecução penal devido à gravidade das ameaças contra servidores. Em Araraquara, contudo, o pré-candidato, segundo o aluno Pedro Lins teria passado dos limites. “Ontem um criminoso e troglodita invadiu a nossa universidade e rasgou cartazes, quebrou cadeiras, enforcou alunos, bateu em meninas. Isso é um absurdo”, comentou o denunciante na Tribuna Popular.
Os atos praticados pelo político já tinham visalisado nas redes sociais com a acusação de que a Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLAr), da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), havia amanhecido piquetada, conforme deliberação da última assembleia estudantil da unidade, que aprovou paralisação voltada ao estado de greve, com assembleias dos cursos ao longo da semana para deliberar sobre a adesão à greve unificada das estaduais paulistas.
Diante da mobilização que os universitários consideram legítima em defesa da universidade pública, Hagara acompanhado de assessores invadiu a unidade com o objetivo de atacar o movimento estudantil e produzir conteúdo político provocativo para suas redes.
O grupo tentou retirar à força as cadeiras colocadas pelos estudantes nos acessos às salas, numa clara tentativa de romper o piquete organizado. Além disso, o candidato arrancaram cartazes políticos e materiais confeccionados pelos estudantes durante toda a manhã em apoio à paralisação.
Já o vereador Guilherme Bianco, do PCdoB que na segunda-feira havia defendido o posicionamento estudantil nas redes sociais, agora na Câmara Municipal citou como importante a mobilização dos estudantes que defendem a universidade pública e que não existe guerra de narrativas, considerando crime o ato de Hagara, a quem chamou de um ticktocker bolsonarista de Ribeirão Preto.
O que irritou Bianco, segundo consta, foi fato de dois vereadores (Michel Kary e Enfermeiro Delmiran), da base do atual governo municipal, terem aplaudido os atos cometidos contra os estudantes: “Não podemos achar razoável o Michel Kary bater palma para esse cara, Delmiram bater palma para esse cara, não podemos achar razoável que o prefeito vá pedir que isso aconteça na nossa cidade, achar que é razoável alguém invadir a universidade para bater em estudante. Foi isso o que aconteceu, esse é o objetivo deles. Nós não vamos deixar isso acontecer”, completou.