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Morre aos 96 anos, Jarbas Malheiro de Camargo Lima, ex-diretor da Canasol em Araraquara

Nome de destaque do agronegócio regional, Jarbas mantinha os traços e os costumes da antiga Fazenda Atalaia deixada pelo pai em 1966, o que lhe valeu ceder as instalações da propriedade para que a Rede Globo realizasse a novela Esperança, em 2002. Seu sepultamento será nesta segunda-feira com velório no Memorial Fonteri a partir das 12 horas.

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Jarbas, em escritório na fazenda com móveis vindos da França no final do século 19

Faleceu neste domingo Jarbas Malheiro de Camargo Lima, aos 96 anos de idade, um dos mais importantes produtores rurais da região de Araraquara, ex-diretor da Associação dos Fornecedores de Cana (Canasol) e um dos fundadores do Sindicato Rural de Araraquara em 18 de julho de 1965.

Por cerca de um século, Jarbas não teve outro objetivo a não ser manter a tradição da família no agronegócio regional e também assegurar traços e costumes deixados pelo pai Jarbas Camargo Lima (ex-presidente da Canasol período 1957/1958) que assumiu a Fazenda Atalaia, em 1929. “Jarbinhas” como era conhecido, veio a assumir o comando da propriedade ao lado dos irmãos Joaquim e Simirâmis, em 1966, após o falecimento do pai.

Jarbas e a esposa Norma na varanda da casa na fazenda

Até hoje a sala de visitas da casa da sede na Fazenda Atalaia – queda do “y” em sua denominação a partir de 1929 – ainda mantém os móveis trazidos da França por volta de 1894, quando o prédio foi inaugurado. Outras peças foram produzidas por um marceneiro empregado na manutenção da fazenda, 10 anos antes da virada do século 19.

Este perfil de preservação da sede e de aparelhos, ferramentas, utensílios e implementos agrícolas, transformaram a fazenda num roteiro de Turismo Cultural nos últimos anos. Um dos documentos, por exemplo, explica que com a proibição do tráfico negreiro, em 1850, e com a abolição da escravidão, em 1888, a mão-de-obra escrava foi substituída pelos colonos europeus que migraram ao Brasil devido ao grande problema de desemprego enfrentado por alguns países da Europa.

E foi com os altos investimentos feitos pelos proprietários da terra e, sobretudo, com o trabalho de colonos italianos, que a Fazenda Atalaia desempenhou importante papel na economia do Brasil no final do século 19 e início do século 20.

Com a preservação original do terreiro de secagem dos grãos de café, da máquina de beneficiamento, das tulhas e dos utensílios empregados na produção, a Fazenda Atalaia vinha oferecendo com Jarbas um passeio pela história em um cenário real, tornando-se uma verdadeira aula prática sobre a produção do café em sua fase áurea.

Via de regra, os estudantes ou visitantes eram acompanhados pelo proprietário da Atalaia, Jarbas Malheiro de Camargo Lima e podiam acompanhar a demonstração prática do processo de produção do café como era feito pelos colonos da fazenda.  Esse processo ia desde a colheita dos grãos até o beneficiamento e torra, incluindo a lavagem e a secagem do café nos terreiros. Convém destacar que a máquina de beneficiamento, do início do século 20, importada da Alemanha, ainda se encontra na propriedade – em funcionamento.

O casal Norma-Jarbas e parte do elenco da novela Esperança, da Globo, em 2002

A conservação e a manutenção das características originais em 2002 implicaram na escolha da Fazenda Atalaia, para ser cenário da novela Esperança, da Rede Globo.

A produção da novela visitou mais de 80 fazendas do interior de São Paulo, até escolher duas: Atalaia e Santa Gertrudes, no município do mesmo nome, a 150 quilômetros de São Paulo; fundada em 1821 para plantio de cana, a Santa Gertrudes se transformou depois em fazenda de café e sempre foi propriedade de condes, barões e marqueses, influentes em todos os aspectos da vida nacional.

A Fazenda Atalaia tem atravessado o tempo e sua imagem continua modelo para o mundo apartado entre a cidade e o campo.

Ele se sentia orgulhoso em mostrar aos jovens as peças que faziam parte da história da Atalaia

A Canasol, nesta segunda-feira (14), através do RCIA se manifestou publicamente – prestando sua solidariedade aos familiares e amigos, pois sempre teve em Jarbas Malheiro de Camargo Lima, um nome extremamente respeitado dentro do agronegócio, dirigente responsável como presidente e diretor da instituição por muitos anos, disse o presidente Luís Henrique Scabello de Oliveira. Ele cita que o trabalho realizado por Jarbas foi de extrema importância para os produtores rurais pois ele viveu um período de transformação da cultura canavieira e do próprio agronegócio brasileiro. “Um exemplo a ser seguido”, completou o gestor da Canasol.

Uma história de trabalho que fica para novas gerações