Foi em Araraquara, em 1975, que Oscar Schmidt, o “Mão Santa” como era conhecido, vestiu pela primeira vez a camiseta da Seleção Brasileira de Basquetebol em jogos oficiais. O Ginásio de Esportes Castelo Branco havia sido inaugurado seis anos antes e naquele ano estava sediando o Campeonato Sul-Americano de Basquete Juvenil e um dos principais articuladores para que a competição se tornasse realidade em nossa cidade foi José Alberto Gonçalves, o “Gaeta”. Na época, foi também importante a figura de Laércio de Arruda Ferreira, o Pelica, que pouco antes assumira a Delegacia Estadual de Esportes. Ele também era jogador de basquete.
O Campeonato Sul-Americano de Basquete Juvenil de 1975 foi realizado em Araraquara, no Ginásio “Castelo Branco”, o Gigantão. O Brasil sagrou-se campeão ao vencer a Argentina na final, com o ginásio lotado por cerca de 10 mil pessoas. A competição revelou grandes talentos do basquete brasileiro, incluindo Oscar Schmidt, Marcel e Guerrinha. O sucesso desse campeonato consolidou o Gigantão, inaugurado em 1969, como um dos principais palcos do basquete no Brasil. Seleções da Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Venezuela também participaram, num total de 12 seleções.
A morte de Oscar nesta sexta-feira (17) permitiu que o brilhantismo do esporte naquela década fosse rememorado nas últimas horas pois ele integrou a seleção brasileira conquistando no Gigantão seu primeiro título internacional. Contudo, sua carreira como juvenil na seleção havia começado pouco tempo antes – 1973, quando se deu a primeira convocação.
Joseane Leopi postou nas redes sociais como uma doce lembrança: “Foi lá (Gigantão) que Oscar conheceu uma amiga minha e começaram a namorar por tempos…. Tenho autógrafos dele e de todo time … Boas memórias”. De fato, são situações que marcaram a passagem do melhor jogador de basquete do Brasil e por extensão no mundo.
O Mão Santa, como ficou conhecido, nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, em 16 de fevereiro de 1958. Se interessou pelo basquete quando se mudou para Brasília e começou a jogar pelo Clube Unidade da Vizinhança. Ele, se mudou para São Paulo e começou a jogar pelo Palmeiras, em 1974, com apenas 16 anos. O sucesso veio logo cedo, com o Campeonato Paulista e Paulistano do mesmo ano (ganharia os próximos dois). Conquistou o Brasileiro de 1977, sendo seu primeiro título nacional. Conquistou em 1978 pela Seleção juvenil a medalha de bronze no campeonato mundial nas Filipinas.

O ala então se transferiu para o clube Sírio, onde foi campeão mundial de 1979, atuando de 1978 a 1982, e também ganhou o Campeonato Brasileiro do mesmo ano. Teve seu melhor momento da carreira pelo Juvecaserta, onde atuou por oito anos na Itália, depois do Sírio. Jogou também pelo Pavia por três anos, ficando no país até 1993.
Oscar atuou ainda na Espanha, pelo Fórum, e até 1995, quando voltou ao Brasil para atuar pelo Corinthians. Lá, ganhou seu oitavo título brasileiro em 1996. Jogou também pelo Banco Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo.
Ao se aposentar pelo Rubro-Negro, em 2003, após mais de 20 anos de carreira, passou Kareem Abdul-Jabbar como maior pontuador da história do basquete, com 49.725 pontos, marca recentemente ultrapassada por outra lenda, LeBron James, do Los Angeles Lakers.
SELEÇÃO BRASILEIRA
Pela seleção principal, a maior conquista de Oscar foi os Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, batendo o time da casa, em uma das maiores vitórias da história do basquete brasileiro, e que foi um dos motivos pelos quais os Estados Unidos montaram seu lendário Dream Team. Também foi campeão dos Sul-Americanos de 1977, 1983 e 1985, já como profissional.
Oscar tem diversos recordes, principalmente olímpicos. Fez o maior número de pontos em um jogo, com 55, contra a Espanha em 1988. Também tem a maior média de pontos em uma edição das Olimpíadas, com 42,3. Foi cestinha por 3 edições, e também é o maior cestinha da história da Seleção Brasileira de Basquete. É o segundo maior pontuador da história do basquete, com 49.973 pontos.
Oscar é recordista de pontos em Olimpíadas, com 1.093 pontos em cinco edições. Foi introduzido ao Hall da Fama do Basquete americano em 2013, sendo um dos poucos a receber a honra sem ter atuado na NBA. Também integra os Halls da Fama da Federação Internacional de Basquete (Fiba) e do basquete italiano e espanhol.
Oscar quase atuou pelo Brooklyn Nets, da NBA, mas não assinou o contrato por ter que deixar de atuar pela Seleção Brasileira. Na época, o time se chamava New Jersey Nets, e selecionou Oscar no Draft de 1984, que contou com nomes lendários como Michael Jordan, Hakeem Olajuwon, Charles Barkley e John Stockton.
Oscar chegou a postar nas redes sociais anos quando se aposentou: “Nunca imaginei que iria poder trabalhar com o que gosto. Sempre gostei de futebol, mas o meu sonho foi para outra direção. O basquete me deu novas oportunidades e novos horizontes. Ele me deu uma vida, dois filhos e um futuro. Porque o esporte pode sim dar novas oportunidades.