
Na atual conjuntura econômica, o que tem deixado o governo Lula muito preocupado é o alto nível de endividamento da população brasileira, que atingiu 81% da população adulta brasileira está endividada. O cartão de crédito lidera as ferramentas de endividamento, mas a pesquisa indica que os principais credores finais são bancos, por meio dos empréstimos concedidos. Espera-se que com o recente “desenrola” a situação se amenize.
A principal causa desse cenário decorre dos juros absurdos praticados no país. Mais de 50% dos brasileiros têm alegado que os salários que recebem não são suficientes para pagar as contas — entendidas aqui não apenas como as despesas normais de sobrevivência, mas também os empréstimos de longo prazo contraídos junto ao sistema financeiro. É assustador saber que boa parte da população de baixa renda recorre a empréstimos consignados com prazos de até 96 meses, ou seja, 8 anos.
Por outro lado, a dívida do agronegócio junto aos bancos oficiais tem sido alta. O Banco do Brasil, conhecido como o grande financiador desses empresários rurais, fechou a carteira do Agro no quarto trimestre de 2025 no montante de mais de R$ 400 bilhões. Isso representa cerca de 35% do montante total de R$ 1,2 trilhão da carteira de crédito do banco.
As informações acima foram obtidas a partir das análises das Demonstrações Financeiras do Banco do Brasil datado de 31 de dezembro de 2025, complementado pelos esclarecimentos efetuados em suas Notas Explicativas, que informa ter destinado R$ 39,1 bilhões para cobrir os “calotes” não cobertas por seguros, ou seja, valores que reduzem diretamente o lucro apurado. Nas Notas Explicativas consta que os atrasos nos pagamentos dos créditos rurais vão de 15, 60 e 90 dias especificamente para o segmento rural.
Analisando também os relatórios do BNDES, nota-se que esse importante banco de desenvolvimento econômico e social destinou R$ 7,5 bilhões especificamente para a renegociação e liquidação de dívidas rurais afetadas por eventos climáticos, encerrando o ano de 2025 com perdas registradas no montante de R$ 15 bilhões. Esse valor não afetou o lucro líquido do período porque havia uma provisão de recursos, efetuada anteriormente, uma decisão tecnicamente recomendada em obediência ao princípio contábil do conservadorismo (ou prudência).
O Banco do Brasil, no entanto, tem registrado anualmente um volume alto de despesas com provisões, consumindo dezenas de bilhões de reais referentes às dívidas do agronegócio e impactando seus lucros líquidos. Através do programa BB Regulariza Dívidas Agro, através da Medida Provisória 1314, como sempre tem feito, renegociou e alongou a dívida do Agro no valor de R$ 37,9 bilhões.
Sei que, para o leitor comum, não acostumado com as expressões técnicas da contabilidade, certamente fica difícil entender o peso desses números. O objetivo é fazer a população entender que subsídios e ajudas financeiras, também denominados subvenções econômicas tem privilegiado o agronegócio. Não se entende porque o pessoal deste setor, neste ano eleitoral, reclama do governo Lula, que destinou R$ 516,2 bilhões para o Plano Safra, incluindo a pecuária, sendo apenas R$ 89 bilhões para os pequenos produtores. A título de comparação, o governo anterior destinou nos anos 2021/2022 para o Plano Safra apenas R$ 340,88 bilhões.
A título de comparação, vale contrapor esse expressivo montante destinado ao agronegócio aos valores investidos pelo Governo Federal em áreas essenciais, como Educação e Saúde, que somaram apenas R$ 504 bilhões. Com juros cobrados entre 3% e 4% ao ano — contra uma taxa básica Selic que chegou a patamares muito superiores —, o governo Lula tem sido, na verdade, um verdadeiro “paizão” para o agronegócio, que geralmente alguns desonestos pegam o dinheiro a juros baixos, com longo prazo para iniciar o pagamento, e desviam para gastos e investimentos particulares.
(*) Walter Miranda, Auditor Fiscal da Receita Federal, aposentado, mestre em Ciências Contábeis pela PUC/SP, pós-graduado em Gestão Pública pela UNESP/Araraquara, militante da CSP CONLUTAS-Central Sindical e Popular e do PSTU-Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados
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