Home Agronegócio

Presidente da Canasol participa do encontro da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool na Fenasucro

Pela primeira vez ocorreu uma reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool fora de Brasília, para coincidir com o principal evento mundial da cadeia de bioenergia, a Fenasucro. Líderes e representantes de vários pontos da cadeia produtiva do açúcar e do etanol tomaram parte, entre eles Luís Henrique Scabello de Oliveira, presidente da Canasol e diretor da Feplana.

82
Luís Henrique com os participantes da reunião, entre eles, Pedro Neto que comanda a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool do MAPA

A necessidade de ampliar a demanda de consumo por etanol e fortalecer a comunicação do setor com a sociedade foi um dos temas debatidos durante a 68ª reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), realizada nesta quarta-feira (12), em Sertãozinho (SP). O encontro, realizado, excepcionalmente, de forma itinerante durante a Fenasucro & Agrocana, foi conduzido pelo presidente da Câmara, Pedro Campos Neto, que destacou a importância de uma mobilização coordenada para estimular o consumo do biocombustível.

Ao abrir a reunião, Pedro Campos Neto destacou o caráter especial do encontro. “Hoje é uma reunião diferente. Acho que, para mim, é a primeira reunião itinerante, vamos chamar assim. Quero agradecer ao Ceise Br, que cedeu esse espaço para a gente durante a Fenasucro”, afirmou. Entre os pontos centrais da discussão esteve a necessidade de o setor investir mais em marketing, comunicação e ações capazes de mostrar à população a importância do etanol e estimular seu consumo.

Para Pedro Campos Neto, o crescimento da oferta de etanol, especialmente com a expansão do etanol de milho, exige que o setor encontre novas formas de ampliar o consumo. “A oferta de etanol de milho vai mudar o comportamento da nossa cadeia. Nós já estamos aí com 10 bilhões de litros. E, se a gente não tiver um novo impulsionamento de demanda, a visão que nós temos é que o mercado vai se reorganizar”, alertou. Segundo ele, iniciativas como SAF e biobunker são importantes e precisam avançar, mas possuem um prazo de desenvolvimento e adoção que impede que sejam, isoladamente, uma resposta imediata ao desafio da demanda. Nesse cenário, Pedro defendeu que o setor volte sua atenção para uma oportunidade que já está disponível: a frota flex brasileira.

A reunião contou ainda com a participação de Mário Campos Filho,Presidente Executivo SIAMIG/Bioenergia Brasil, que reforçou a necessidade de uma mudança de estratégia diante do novo cenário do mercado. Para ele, o setor vive um momento em que o aumento da oferta torna urgente a busca por novos consumidores. “A realidade atual está transformando a forma da gente pensar o etanol”, afirmou Mário, ao destacar que o setor precisa aproveitar o potencial de uma frota flex que representa uma parcela expressiva dos veículos brasileiros.

Segundo ele, o desafio é transformar espaço potencial em consumo efetivo. “A boa notícia é que nós temos um mercado para explorar”, destacou, defendendo uma mobilização para ocupar o espaço existente no mercado de combustíveis. “Acho que a solução está aí: é fazer com que a população consuma mais etanol. Se você pegar hoje, a frota flex representa 75%, 80% dos nossos veículos e, desses veículos, a gente tem um consumo só de cerca de 35% de etanol”, destacou.

João Rosa (Botão), da Pecege, também participou da reunião e lembrou que a proposta é aproveitar diferentes espaços de comunicação para aproximar o etanol do cotidiano do consumidor, incluindo campanhas publicitárias, mídias digitais, eventos esportivos e outros canais de grande alcance. Ele citou a campanha “Vai de Etanol”, da Única, como uma iniciativa positiva, mas defendeu a união de outras instituições para ampliar e impulsionar esse tipo de ação. “Não adianta a gente só reclamar de questões de preço de mercado, sendo que não tem uma mobilização”, pontuou.

Durante a reunião, também foram apresentados exemplos de iniciativas que demonstraram o potencial de ações de incentivo ao consumo. Entre eles, um projeto realizado pela Stellantis em 2025, que combinou informação sobre as vantagens do etanol com incentivo econômico. Conforme relatado durante o encontro, a adesão ao uso do biocombustível aumentou significativamente entre os participantes do projeto. Outro exemplo apresentado foi uma ação promocional realizada em Belo Horizonte, na qual o preço do etanol caiu para R$ 2,99 em postos participantes. Segundo as informações apresentadas na reunião, o consumo de etanol hidratado teria dobrado naquela semana em comparação com uma semana de julho, reforçando a percepção de que preço e estímulo ao consumo podem influenciar diretamente o comportamento do consumidor.

A discussão também apontou para iniciativas mais simples e imediatas, como estimular frotas corporativas e públicas a utilizarem etanol sempre que os veículos forem flex. A proposta defendida durante o encontro inclui, inclusive, a construção de ações junto aos governos estaduais para estimular o abastecimento de suas frotas com o biocombustível. Pedro Campos Neto ressaltou que a mudança também precisa começar dentro do próprio setor. “Tem que partir da gente. Não tem o carro ideal que você queira ainda. Vamos nos adaptar ao que existe hoje e tentar usar um carro, tentar consumir etanol”, afirmou.

Ao final, ficou reforçada a necessidade de unir entidades, empresas e instituições em torno de uma estratégia comum de comunicação e estímulo ao consumo do etanol. A próxima reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool está prevista para o dia 3 de novembro, às 14h, em Brasília. O encontro em Sertãozinho marcou, assim, não apenas a continuidade das discussões da Câmara Setorial, mas também uma provocação para que o setor passe a comunicar melhor seus produtos, aproximando o etanol do consumidor e transformando o potencial da frota flex em demanda efetiva.

CANASOL E FEPLANA PARTICIPANDO

Aproveitando sua permanência em Sertãozinho para acompanhar mais uma edição da Fenasucro, o presidente Luís Henrique Scabello de Oliveira, da Canasol e Credicentro, e, diretor da Feplana (Federação Nacional dos Plantadores de Cana) também participou da reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, entendendo que – por ser um órgão consultivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), reunindo membros do governo e setor privado para planejar o mercado de cana, açúcar e etanol, é de suma importância neste momento defender o setor, principalmente quando alternativas são buscadas visando o fortalecendo da classe canavieira.

“É num momento assim, em meio a euforia de uma Fenasucro que – reuniões devem ser permanentes, debatendo tópicos importantes, como o aumento da mistura de etanol na gasolina e o uso de novas tecnologias no campo. Através do diálogo discutimos políticas públicas que podem ajudar o setor produtivo, defendendo sempre regras e impostos que impactam o bolso do produtor”, afirmou Luís Henrique.