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Sem alívio para o açúcar: Brasil e EUA voltam à mesa, mas tarifa de 25% continua

Brasil e Estados Unidos retomaram negociações sobre tarifas impostas a produtos brasileiros

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Assunto foi debatido novamente entre as duas economias

Brasil e Estados Unidos retomaram oficialmente as negociações sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros, mas o encontro realizado nesta segunda-feira (31) terminou sem qualquer redução das alíquotas ou ampliação da lista de mercadorias isentas.

Com isso, a tarifa adicional de 25% aplicada ao açúcar brasileiro exportado ao mercado norte-americano continua em vigor.

A reunião virtual contou com a participação dos ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

O encontro foi realizado após a conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto, quando o governo norte-americano sinalizou disposição para reabrir o canal de negociação.

Apesar da retomada do diálogo, a reunião não resultou em propostas concretas, alteração das tarifas ou definição de um cronograma para a revisão das medidas.

Segundo nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os dois países concordaram em realizar reuniões técnicas nas próximas semanas. Posteriormente, deverá ocorrer um novo encontro em nível ministerial para avaliar o andamento das tratativas.

As próximas conversas poderão ser virtuais ou presenciais, mas ainda não há data definida.

BRASIL CONTESTA MEDIDAS

Durante a reunião, o governo brasileiro voltou a afirmar que considera as medidas norte-americanas unilaterais, injustas e incompatíveis com as regras multilaterais do comércio.

O Brasil também rejeitou as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos para a adoção das tarifas, argumentando que elas não correspondem às práticas comerciais brasileiras.

As sobretaxas foram estabelecidas a partir de duas investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

Uma das medidas aplicou tarifa adicional de 25% a determinados produtos brasileiros, incluindo o açúcar. A segunda estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% relacionada a alegações de falhas no combate ao trabalho forçado nas cadeias produtivas.

Quando as duas medidas incidem sobre o mesmo produto, a tarifa adicional pode chegar a 37,5%. No caso do açúcar, a incidência informada pelo governo brasileiro é de 25%.

IMPACTO SOBRE AS EXPORTAÇÕES

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos são atingidas pelas novas sobretaxas.

Desse total, 1,9% da pauta exportadora — parcela que inclui o açúcar — está sujeita exclusivamente à tarifa adicional de 25%.

Outros 16,5% das exportações recebem simultaneamente as duas sobretaxas e podem enfrentar uma cobrança adicional acumulada de 37,5%.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

TARIFA CONTINUA SEM PRAZO PARA A REVISÃO

Embora a retomada das negociações represente uma mudança no ambiente diplomático, ainda não há indicação de quando as tarifas poderão ser revistas.

O Brasil também apresentou, em julho, um pedido formal de consultas aos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio, questionando a compatibilidade das medidas com as regras internacionais.

Por enquanto, o único avanço foi a reabertura do diálogo. Para os exportadores brasileiros de açúcar, as condições de acesso ao mercado norte-americano permanecem inalteradas. (Informações:Jornal da Cana)