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Cônego Aldomiro Storniolo, símbolo de uma geração cristã

1961. Um padre vestido com batina preta caminha pela Avenida 36, ainda cercada por terrenos baldios. Ao seu lado marcham umas 120 crianças com um destino: Estádio da Fonte Luminosa, onde tinham espaço reservado para assistir aos jogos da Ferroviária. Aldomiro Storniollo, o cônego, era o guia destes esses meninos abandonados pelos pais, deixados no Lar Juvenil.

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Storniollo, aos 89 anos de idade, em Americana

A Avenida Cônego Aldomiro Storniolo existe; está localizada no Jardim Universal, porém, em função da lei que rege a denominação de vias públicas ela não possui decreto municipal, pois o homenageado estava vivo. Isso se deu nos anos 60 por conta do empresário Awad Barcha, fundador da Habitacional e onde foi celebrada missa de lançamento do bairro. Seu falecimento ocorreu cerca de quatro anos atrás.

Com essa batina preta ele levava as crianças do Lar Juvenil para assistir aos jogos da
Ferroviária e ver em campo Fia, Porunga e Antoninho; Dirceu Rodrigues e Cardarelli;
Faustino, Dudu, Baiano, Bazani e Beni, em 1961

Todavia, esse fato representa um prêmio e reconhecimento da nossa sociedade à ilustre figura que residiu durante muitos anos em Araraquara, considerada personalidade proeminente quer pelo seu caráter marcante ou a notável inteligência de que era dotado. Aldomiro Storniolo, natural de Ibitinga (SP), filho de Angelina Micheleto e José Storniolo, nascido no dia 20 de setembro de 1925, primeiro filho do casal seguido por João, Geraldo, Amélia, Élia e Ivo.

Em Ibitinga, de 1934 a 1937, fez o grupo escolar, transferindo-se depois para estudar em São Carlos no seminário menor do Colégio Diocesano, de onde saiu em 1938 com o objetivo de cursar Filosofia no Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo, de 1944 à 1947 e Teologia de 1947 à 1950. Durante o período que estudou Teologia sempre visitava sua cidade natal onde organizava a “Semana do Catecismo” para as crianças, com concursos e incentivos diversos para despertar nelas o interesse pelo catolicismo.

Hospital de Isolamento no século XIX, transformado 50 anos depois no Lar Juvenil “Domingos Sávio”

Foi ordenado sacerdote e celebrou a sua primeira missa em Ibitinga, no dia 3 de dezembro de 1950. Um ano depois tornou-se padrinho de formatura da primeira turma do ginásio estadual daquela cidade. Muitos dos formandos guardam até hoje fotos feitas ao lado de Storniollo perto da igreja local.

Com 25 anos, foi nomeado professor, ministro de disciplina e ecônomo do Seminário Menor de São Carlos. Durante esse período, trabalhou como reitor da Igreja de São Benedito tendo demolido a pequena capela e construído o novo templo religioso.

Cônego Aldomiro foi o único padre da Diocese de Limeira (pároco emérito) que celebrou missa especial no rito antigo. Dos 89 anos de idade, 64 foram dedicados ao sacerdócio

Mais tarde foi reitor até 1958, tendo voltando novamente ao seminário, para continuar como reitor. Foi pároco da Matriz de São Bento de Araraquara de 1960 a 1972. Dotado de dinamismo invulgar logo granjeou a simpatia dos paroquianos, demonstrando uma cultura acima do normal. Storniolo deu continuidade aos trabalhos de reforma da Matriz iniciados pelo Padre Orlando Garcia. Sob seu comando, a obra ganhou maior amplitude, visto que ele projetava tornar a Matriz de São Bento de Araraquara em sede da Diocese, de acordo com os relatos de amigos da época.

Araraquara tem uma particularidade interessante, qual seja, admirar e respeitar pessoas dotadas de inteligência que foge da vulgaridade. Foi assim que na década de 60, já então Cônego, Aldomiro Storniolo se tornaria o primeiro sacerdote rotariano que esta cidade já teve. Foi no Rotary Clube de Araraquara que o mesmo ingressou, fazendo amigos e admiradores de seu talento.

Orgulhoso, o Cônego Aldomiro Storniollo, que um dia passou pela nossa cidade e foi orador nos eventos políticos de Rômulo Lupo mostrava com orgulho a homenagem recebida do Papa Bento 16, em novembro de 2011

Cinco dias após a morte do saudoso Padre Francisco Salles Colturato, em 10 de agosto de 1961, o então Bispo Diocesano Don Ruy Serra o nomeou como o 2° diretor Presidente do Lar Juvenil Domingos Sávio de Araraquara, instituição na qual permaneceu como presidente até 20 de março de 1969. Consta que por ter sido amigo e orador oficial dos eventos da municipalidade durante a gestão do então prefeito Rômulo Lupo, o mesmo começou ser alvo de políticos que anteviam a possibilidade dele tornar-se prefeito da cidade. Mas era arredio a política e talvez por essa razão optou em deixar a cidade, indo trabalhar na Vila Formosa, em São Paulo.

Após essa transferência Araraquara perde sua referência e contato com essa ilustre figura que somente voltaria a pisar em solo araraquarense por algumas horas, no dia 17 de junho de 1994, quando veio para celebrar uma missa do Jubileu de Ouro do Liceu São Bento, na igreja Matriz de São Bento. Nessa celebração, que contou com apresentação especial do Coral FEFIARA, sob a regência do Maestro Moacyr Carlos Júnior, também esteve presente o então candidato a governador Mário Covas.

Anos mais tarde o Cônego Aldomiro Storniolo, embora aposentado, continuou trabalhando por sua vocação na Paróquia São Judas Tadeu, em Americana, sendo pelo seu brilhante trabalho – pároco emérito.

Seu nome está na rua devido a uma homenagem especial prestada pelo empresário Awad Barcha, quando do lançamento do Jardim Universal.

O cônego faleceu no dia 31 de agosto de 2015, quando ainda mantinha atividades na Paróquia São Judas Tadeu, do Jardim Ipiranga, em Americana. Storniolo tinha 89 anos e completaria 90 anos no dia 20 de setembro. Ele estava doente e ficou internado por algum tempo no Hospital Unimed da cidade. Seu corpo veio para a sua terra natal, Ibitinga, sendo sepultado no cemitério municipal da cidade.