
Com mais de 9 mil nomes, processo de recuperação judicial busca salvar holding após crise do Banco Master. Na lista divulgada pelo Grupo Fictor para ter autorizado o seu pedido junto à Justiça estão pelo menos – 49 investidores de Araraquara – a maioria pessoas físicas. Veja quem são os credores.
O Grupo Fictor, que protocolou pedido de recuperação judicial no domingo (01), apresentou à Justiça uma lista com mais de 9 mil credores, que somam mais de R$ 4,1 bilhões em dívidas. Embora existam grandes nomes institucionais, a dívida é altamente pulverizada entre uma maioria composta de milhares de pessoas físicas.
“É uma recuperação judicial bem atípica”, analisa o advogado do escritório IW Melcheds, Thiago Groppo Nunes, especialista em recuperação judicial e falências pelo Insper e pela FGV. “O passivo fica pulverizado em um grande número de credores. O advogado responsável precisará de muito tato para negociar com eles.”
OS MAIORES CREDORES
Em primeiro lugar aparece a fornecedora de serviços financeiros American Express, conhecida por fornecer cartões de crédito corporativos e soluções para gestão de despesas empresariais. O Fictor sinaliza dever à empresa cerca de R$ 893,1 milhões.
O segundo maior credor é a Sefer Investimentos DTVM, gestora de ativos financeiros com sede em São Paulo para quem a Fictor deve R$ 430 milhões, com vencimento para dezembro de 2028.
Na terceira posição, está o empresário Luiz Phillippe Gomes Rubini, que ocupava cargos executivos no Grupo Fictor até dezembro de 2024. Apesar de ter vendido sua participação, Rubini manteve vínculos com a holding. Até outubro de 2025, era ainda membro do conselho de administração da Fictor Alimentos. É credor de cerca de R$ 34,4 milhões.
Em seguida, está o escritor Augusto Jorge Cury, famoso pela série de ficção “O Vendedor de Sonhos” e por livros de desenvolvimento pessoal como “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes” e “Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes”. A dívida do grupo com o autor soma R$ 31,5 milhões.
OUTROS DESTAQUES
Na lista, aparece ainda a Sociedade Esportiva Palmeiras, com quem o Fictor mantinha um contrato de patrocínio. Na noite de segunda-feira, 2, horas após vir a público as informações sobre a recuperação judicial, o time de futebol anunciou a rescisão do contrato. O valor devido é de R$ 2,6 milhões.
A holding mantém ainda um patrocínio para a Confederação Brasileiro de Atletismo (CBAt). O valor previsto em contrato é de R$ 21 milhões até 2029. Na lista de credores, está informado um débito de R$ 500 mil até o momento.
O grupo listou ainda um débito de R$ 43,7 mil em dívidas trabalhistas, referentes aos honorários para dois escritórios de advocacia, Izuka e Crivellaro Advogados e Muniz Braga e Faria Advogados.
VEJA OS MAIORES CREDORES LISTADOS PELO GRUPO FICTOR
American Express Brasil Asessoria Empresarial Ltda.- R$ 893.195.066,36
Sefer Investimentos DTVM Ltda. – R$ 430.000.000,00
Luiz Philippe Gomes Rubini – R$ 34.435.554,24
Augusto Jorge Cury – R$ 31.500.000,00
Alarcon Select – R$ 16.450.000,00
Adesh 1º Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – 15.000.000,00
Thaís Seixas Cardoso – R$ 13.500.000,00
Gabriel da Silva Almeida – R$ 11.000.000,00
Luis Marcelo Carvalho de Oliveira – R$ 10.940.000,00
Kadesh 2º Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – R$ 10.000.000,00
Saulo Matheus Arantes Alves – R$ 10.000.000,00
Silo Safra – R$ 10.000.000,00
Pablo Cabral Zilli – R$ 9.916.771,59
Edvaldo Ilário de Oliveira – R$ 9.130.145,12
Leandro Braga Fraga – R$ 8.660.145,00
Washington Luiz Batista Brasileiro – R$ 8.197.587,80
Avi Freilich – R$ 7.800.000,00
James Michael Raimundo – R$ 7.400.000,00
Tagiza Empreendimentos Ltda. – R$ 7.284.563,55
Silvia Ramos Maradei Pereira – R$ 6.960.000,00
(Informações: Isto é Dinheiro)

NEM INVESTIDORES DE ARARAQUARA ESCAPAM
Na lista de credores divulgada pelo próprio Fictor – investidores que acreditaram no potencial do Fictor – o RCIA encontrou 49 pessoas de Araraquara, representando a elas um duro golpe financeiro. Com essas pessoas o Fictor terá que negociar e num prazo de dois anos devolver o que elas investiram, ou no mínimo devolver o que for acordado. Os valores aplicados por investidores de Araraquara no Fictor somam R$ 5.827.707,66.
O acesso à lista se tornou pública e segundo especialistas em direito financeiro é até mesmo importante sua divulgação visando oficializar as negociações, para que os credores possam se manifestar e acompanhar os rumos que serão dados pela Justiça a partir da anunciada Recuperação Judicial.
No caso de Araraquara é observado que Romero Bressan investiu R$ 1.430.000,00, a Winwin Group R$ 600.00,00, Alcidio Celiberto R$ 500.000,00, sendo eles os grandes aplicadores e de boa fé, tendo agora com os demais se submeterem a proposta de devolução dos valores sujeitos ao resgate.
O grupo Fictor Holding e a Fictor Invest alegaram no pedido da Recuperação Judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo que a crise financeira foi imposta pelas associações com o Banco Master e pela cobertura da imprensa.
A compra do Banco Master, anunciada pela Fictor em novembro de 2025, tinha “o objetivo de assegurar a continuidade das operações da instituição“ com a ajuda de um investidor estrangeiro.
Mas segundo a publicação NeoFeed, o fato de o banco ter sido alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, no dia seguinte ao anúncio da aquisição, teria sido o gatilho para a crise da Fictor, segundo o documento.













