
Uma explosão seguida de incêndio provocada por pólvora durante ritual religioso que estava ocorrendo em uma área rural no bairro Condomínio Satélite, em Araraquara, acabou matando a frentista Josélia Santos Oliveira, 26 anos de idade, nesta sexta-feira (17). A mulher “entregava a oferenda em uma encruzilhada”.
De acordo com o boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Militar, Josélia cumpria normas de entrega do trabalho espiritual que pedia o uso de pólvora, normalmente requisitado na Umbanda. Acompanhada por outras pessoas, a moça participava do ritual na encruzilhada recomenda por um dos participantes da seita.
A limpeza do corpo com pólvora realizada na encruzilhada, segundo os religiosos, é um ritual poderoso utilizado na Umbanda e Quimbanda para descarrego, quebra de demandas e afastamento de espíritos obsessores. Essa prática atua na aura das pessoas, eliminando energias densas, contam os umbandistas.
Contudo, por ser um material incendiário e explosivo, exige cautela, concentração e, muitas vezes, sendo realizada “a entrega” em locais específicos do terreiro, como valetas próprias, ou, nas encruzilhadas, mas o excesso de pólvora também pode colocar em risco as pessoas e causar danos.
No caso de Josélia, houve a queima da pólvora provocando a explosão e em seguida o incêndio em seu corpo, atingindo o tórax e o rosto. Ela foi levada ao Hospital José Nigro em Américo Brasiliense e logo depois removida para à Santa Casa de Araraquara onde veio a falecer na madrugada de segunda-feira (20).
A ocorrência foi registrada como sendo morte suspeita e acidental
Segundo o boletim de ocorrência, a jovem participava de um ritual quando houve a queima de pólvora, que acabou provocando um incêndio e atingiu seu tórax e rosto. Testemunhas relataram que a ignição aconteceu de forma repentina durante uma oferenda em uma encruzilhada.
A vítima foi socorrida inicialmente ao hospital de Américo Brasiliense e, devido à gravidade, transferida para a Santa Casa de Araraquara, onde permaneceu internada na UTI. Ela não resistiu e morreu na madrugada de segunda-feira (20). Josélia, foi sepultada nesta terça-feira (21), no Cemitério Bom Pastor em Ribeirão Preto, deixando dois filhos – Heitor Emanuel e Artur Miguel – e o seu caso será investigado pela Polícia Civil.
O REPÚDIO DE FILIPA BRUNELLI
A vereadora Filipa Brunelli, veio às redes sociais no final da noite desta terça-feira (21) para dizer que – recebia com profunda tristeza a notícia do falecimento de Josélia Santos Oliveira, e que, além da dor dessa perda, algo revolta ainda mais: a enxurrada de comentários de ódio, desinformação e intolerância religiosa que tomou conta das redes sociais após o ocorrido.
É inaceitável que, diante da morte de uma jovem, disse a parlamentar, existam pessoas utilizando esse momento para atacar religiões de matriz africana, chamando de “demoníaco” aquilo que não conhecem ou não respeitam. Isso não é opinião. Isso é racismo religioso. Transformar o luto em palanque de preconceito é desumano e revela o quanto ainda precisamos avançar como sociedade.
No encerramento da publicação, Filipa assegura que “nenhuma fé pode ser tratada como motivo de julgamento, perseguição ou violência. O que está em jogo aqui é o direito básico de existir e acreditar.”













