Home Cidade

Explosão de pólvora em ritual na encruzilhada mata mulher de 26 anos. Ela deixa dois filhos menores.

Caso será investigado pela Polícia Civil de Araraquara, tendo ocorrido em "trabalho espiritual" numa encruzilhada em área quase rural, proximidades do bairro Condomínio Satélite, área caracterizada por chácaras e terrenos amplos, muitas vezes com vias não pavimentadas. Após explosão que incendiou seu corpo, mulher morreu na Santa Casa - três dias depois.

203
Josélia, deixa dois filhos

Uma explosão seguida de incêndio provocada por pólvora durante ritual religioso que estava ocorrendo em uma área rural no bairro Condomínio Satélite, em Araraquara, acabou matando a frentista Josélia Santos Oliveira, 26 anos de idade, nesta sexta-feira (17). A mulher “entregava a oferenda em uma encruzilhada”.

De acordo com o boletim de ocorrência elaborado pela Polícia Militar, Josélia cumpria normas de entrega do trabalho espiritual que pedia o uso de pólvora, normalmente requisitado na Umbanda. Acompanhada por outras pessoas, a moça participava do ritual na encruzilhada recomenda por um dos participantes da seita.

A limpeza do corpo com pólvora realizada na encruzilhada, segundo os religiosos, é um ritual poderoso utilizado na Umbanda e Quimbanda para descarrego, quebra de demandas e afastamento de espíritos obsessores. Essa prática atua na aura das pessoas, eliminando energias densas, contam os umbandistas.

Contudo, por ser um material incendiário e explosivo, exige cautela, concentração e, muitas vezes, sendo realizada “a entrega” em locais específicos do terreiro, como valetas próprias, ou, nas encruzilhadas, mas o excesso de pólvora também pode colocar em risco as pessoas e causar danos.

No caso de Josélia, houve a queima da pólvora provocando a explosão e em seguida o incêndio em seu corpo, atingindo o tórax e o rosto. Ela foi levada ao Hospital José Nigro em Américo Brasiliense e logo depois removida para à Santa Casa de Araraquara onde veio a falecer na madrugada de segunda-feira (20).

A ocorrência foi registrada como sendo morte suspeita e acidental

 Segundo o boletim de ocorrência, a jovem participava de um ritual quando houve a queima de pólvora, que acabou provocando um incêndio e atingiu seu tórax e rosto. Testemunhas relataram que a ignição aconteceu de forma repentina durante uma oferenda em uma encruzilhada.

A vítima foi socorrida inicialmente ao hospital de Américo Brasiliense e, devido à gravidade, transferida para a Santa Casa de Araraquara, onde permaneceu internada na UTI. Ela não resistiu e morreu na madrugada de segunda-feira (20). Josélia, foi sepultada nesta terça-feira (21), no Cemitério Bom Pastor em Ribeirão Preto, deixando dois filhos – Heitor Emanuel e Artur Miguel – e o seu caso será investigado pela Polícia Civil.

O REPÚDIO DE FILIPA BRUNELLI

A vereadora Filipa Brunelli, veio às redes sociais no final da noite desta terça-feira (21) para dizer que – recebia com profunda tristeza a notícia do falecimento de Josélia Santos Oliveira, e que, além da dor dessa perda, algo revolta ainda mais: a enxurrada de comentários de ódio, desinformação e intolerância religiosa que tomou conta das redes sociais após o ocorrido.

É inaceitável que, diante da morte de uma jovem, disse a parlamentar, existam pessoas utilizando esse momento para atacar religiões de matriz africana, chamando de “demoníaco” aquilo que não conhecem ou não respeitam. Isso não é opinião. Isso é racismo religioso. Transformar o luto em palanque de preconceito é desumano e revela o quanto ainda precisamos avançar como sociedade.

No encerramento da publicação, Filipa assegura que “nenhuma fé pode ser tratada como motivo de julgamento, perseguição ou violência. O que está em jogo aqui é o direito básico de existir e acreditar.”