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Etanol: com preços baixos, usinas param de comercializar

As cotações do biocombustíveis vêm sendo pressionadas pela derrocada do petróleo nas bolsas internacionais e pela menor demanda em meio à pandemia

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A pressão é motivada pelo pouco espaço para armazenar o produto

Depois do tombo de mais de 300% no início da semana, a cotação do petróleo WTI para junho chegou a subir nesta quarta-feira, 22, quase 30% na Bolsa de Nova York, mantendo-se na casa dos US$ 14. A pressão é motivada pelo pouco espaço para armazenar o produto, que, segundo especialistas, pode acabar em questões de semanas.

Além do aumento da oferta de petróleo, o enfraquecimento da demanda por etanol está afetando os preços pagos nas usinas de cana-de-açúcar. De acordo com pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), uma parte do setor está fora do mercado, considerando os preços pouco atrativos.

O pesquisador da GV Agro Felippe Serigati afirma que o setor está sendo afetado por vários fatores, entre eles o desaquecimento da demanda interna, consequência do isolamento social.

Apesar de analistas terem previsto a possibilidade dessa situação, o petróleo atingindo reços negativos é algo inédito, afirma Serigatti. O óleo estar agindo em patamares muito baixos traz problemas também para os produtores de combustíveis substitutos, como o etanol de milho.

“Essa situação desconfortável que estamos vendo para o produtor sucroalcooleiro não é exclusividade nossa”, explica o pesquisador que afirma que crise atinge outros países também.