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Etanol é defendido como opção para diminuir emissão de gases estufa

Campanha da Faemg e Siamig, lançada nesta segunda (20), visa conscientizar sobre o uso do combustível à base de álcool e fortalecer o agronegócio no Brasil

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Atualmente, 84% da frota brasileira é de carros flex

Foi lançada nesta segunda-feira (20), a campanha “Movido pelo Agro.

A campanha é uma parceria do Sistema Faemg Senar com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), para conscientizar sobre o uso do etanol como combustível sustentável. Na próxima sexta-feira (24), comemora-se os 20 anos da chegada do primeiro carro flex no Brasil, que foi um marco no setor automobilístico.

A proposta da campanha, segundo a Faemg, é mostrar as “vantagens ambientais do etanol, um combustível limpo e renovável proveniente da cana-de-açúcar, além de valorizar o setor sucroenergético e os produtores rurais, com ações que refletem na geração de emprego e renda e no fortalecimento de toda a cadeia produtiva”.

Segundo o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, um carro movido à gasolina emite 145 gramas de dióxido de carbono equivalente por quilômetro rodado; um automóvel elétrico à bateria, utilizado atualmente na Europa, emite 92 gramas; e um carro movido 100% a etanol emite 58 gramas de CO2eq, quando considerado o ciclo de vida do etanol. Parte das emissões de CO2 do etanol são compensadas pela cana-de-açúcar, que absorve da atmosfera, por meio da fotossíntese, o dióxido de carbono liberado pelo escapamento do automóvel.

Antônio conta que, desde novembro de 2022, cerca de 30 carros da frota da própria Faemg passaram a utilizar apenas etanol como combustível. “Nesse tempo, deixamos de emitir quase 60 tonaledas de gás efeito estufa. Estamos fazendo nosso dever de casa”, diz.

Atualmente, de cada 100 veículos rodando nas ruas e rodovias do país, 84 são flex e podem ser abastecidos com etanol. “Dá para imaginar a redução dos níveis de poluição do ar nos grandes centros urbanos se todos os carros começarem a abastecer com etanol? Sem falar que este é um recurso só nosso – brasileiro e infinito, uma vez que a cana pode ser replantada todo ano. Já o petróleo, além de ser um combustível fóssil altamente poluente, é um recurso finito”, explica.

AGRONEGÓCIO

O agronegócio no Brasil movimenta cerca de US$ 100 bilhões anualmente, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq-USP. Considerado um dos pilares do agronegócio brasileiro, a produção nacional de cana-de-açúcar transformou o Brasil em campeão mundial no mercado sucroenergético.

A campanha de conscientização é também uma forma de fortalecer o setor. “Vamos rodar Minas Gerais abastecidos por etanol e mostrar que estamos utilizando um combustível mineiro e que polui menos. Depois, vamos levar isso para as outras federações de agricultura”, explica Antônio.

A cana é a principal fonte de energia renovável no país, correspondendo a 18% da matriz nacional ou 39% de toda a energia renovável ofertada. Isso posiciona o Brasil acima da média mundial (13,9%) e dos países desenvolvidos da OCDE (10,8%), o que reforça o papel brasileiro na vanguarda do uso de energias limpas e renováveis. É também um dos setores que mais emprega no Brasil e, por isso, está intimamente ligado à sociedade.

CONTRIBUIÇÕES

As contribuições do “Movido pelo Agro” estão alinhadas com compromissos ambientais do Sistema Faemg Senar, da Siamig e do setor agropecuário, em níveis estadual e federal. A exemplo, há o Plano de Ação Climática de Minas Gerais e o Plano Setorial para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária, conhecido como Plano ABC+. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a meta é promover a adaptação à mudança do clima e o controle das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária brasileira, com aumento da eficiência e resiliência dos sistemas produtivos e com uma gestão integrada da paisagem rural.

“Assim como nossos veículos são movidos pelo agro, nós também somos abastecidos pelos alimentos que saem das mãos dos produtores rurais. Por isso, precisamos de ações que valorizem esses homens e mulheres do campo e gerem ganhos ao meio ambiente”, defende Antônio de Salvo.