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Tecnologia avançada e planejamento melhoram qualidade da cana

Esforços incluem manejo varietal eficiente e uso de defensivos agrícolas adequados

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Os conceitos de qualidade passam obrigatoriamente pela concentração de açúcar

O uso de tecnologia avançada para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas e a necessidade de planejamento conjunto das áreas agrícola e industrial são algumas soluções voltadas para a melhoria da qualidade da cana-de-açúcar, apontam especialistas.

“A matéria-prima proveniente do campo traz consigo algumas perturbações, que são próprias do metabolismo vegetal. E é nesse ponto importantíssimo, que já começa a influência do manejo do canavial”, afirma Ericson Marino, consultor da Canaplan. Segundo ele, para a cana estar na condição ideal, ou seja, madura, fresca e limpa, deve ocorrer um processo de gestão integrada entre a área agrícola e industrial.

Os conceitos de qualidade passam obrigatoriamente pela concentração de açúcar, que tem interferência não apenas do manejo varietal adequado, mas também do uso de produtos que possam controlar a maturação, o florescimento, o teor de fibras e o efeito de doenças e pragas – destaca Ericson Marino. Além disso, a colheita e o transporte de cana para a indústria interferem na qualidade da matéria-prima devido à quantidade de impurezas minerais e vegetais transportadas para a indústria.

“A cana ideal conta com caldo e fibra. Mas, a usina e a destilaria recebem muito mais do que isto: caldo mais fibra, impureza vegetal, impureza mineral e os danos causados por pragas e doenças”, comenta.

Com o crescimento da colheita mecanizada de cana crua – exemplifica –, houve um aumento considerável de materiais corantes, que são um transtorno para a indústria, devido à maior quantidade de impureza vegetal. “A colheita mecanizada não consegue cortar o tolete no ponto certo e inevitavelmente vem junto a parte apical carregada desses pigmentos”, constata.

Esses materiais corantes são de difícil remoção no processo de tratamento convencional do caldo. “Os compostos fenólicos criam problemas em relação à cor do açúcar e também são inibidores, dependendo da variedade, da eficiência da fermentação”, observa o especialista.

De acordo com Ericson Marino, tudo que entra na indústria, e não é açúcar, vai criar inevitavelmente um problema para a fábrica. “Ao passar pela moenda ou difusor, o caldo que vai sair desse produto, que quase não podemos mais chamar de cana, em diversos casos, vai criar efeitos difíceis de serem administrados”, enfatiza.

Os transtornos não param aí. Existem também as consequências proporcionadas pela ação de pragas e doenças. “A broca causa dano na cana, provocando redução de peso e perda de massa. E isto vai criar problema na moenda. Como houve perda de caldo, tanto o difusor como as moendas vão ter queda na capacidade de processamento”, explica.

A mecanização da colheita trouxe de volta a podridão vermelha, que está preocupando cada vez mais – informa. “Cigarrinha é outro problema, pois deixa colmos praticamente murchos, que vão provocar grandes transtornos por causa do acréscimo de fibras e perda de qualidade. E o Sphenophorus levis também prejudica a matéria-prima, causando dificuldades para a clarificação do caldo, podendo gerar ainda inibidores de fermentação”, diz

Campo e indústria – A superação de diversos desafios que comprometem a qualidade da matéria-prima exige uma integração entre as áreas agrícola e industrial – ressalta Ericson Marino. “No passado, havia uma disputa muito grande. Era difícil fazer essas duas áreas se entenderem. Hoje isto felizmente melhorou muito. Conseguimos fazer com que a área agrícola e a industrial percebam que são partes de um único processo e que podem contribuir para que os efeitos que interferem na qualidade da cana sejam minimizados”, afirma.

Segundo ele, o planejamento conjunto das operações diárias das áreas agrícolas e industrial evita paradas não planejadas. “O fluxo uniforme é importantíssimo. O processo de produção de açúcar e etanol é um processo contínuo. Não suporta variações amplas”, comenta.