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A Vacina é o Passaporte para salvar vidas e os empregos

Por Guilherme Bianco

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A chegada da variante Ômicron faz o Brasil atravessar o pico da nova onda da pandemia, com um aumento substancial de novos casos e internações. Em Araraquara não é diferente: janeiro de 2022 já é o mês com o maior número de novos casos, e nesse ritmo, teremos ao menos 15 mil pessoas positivadas até fevereiro, sendo duas mil apenas nesta sexta-feira (21) – um recorde diário.

Mas, qual a grande diferença dessa onda de contaminação para as outras que já tivemos? A vacinação em massa. Uma resposta simples e muito bem aceita pela maioria absoluta da população. Não à toa, 96% dos araraquarenses com mais de 12 anos já estão com seu esquema vacinal completo. O Brasil é muito avançado no que tange à vacinação, seja na pesquisa de imunizantes, seja na aplicação dos mesmos. Viva o Zé Gotinha!

Me causa repúdio e tristeza perceber que, mesmo após a morte de mais de 620 mil brasileiros, a discussão sobre a vacina ainda é tratada por alguns com tamanha displicência. Apesar de ser evidente e indiscutível o papel da vacinação na defesa da vida das pessoas, alguns grupos ainda insistem em inventar e propagar mentiras sobre a imunização.

Em janeiro de 2021, Araraquara registrou 1.905 casos de COVID-19, lamentando também a morte de 22 pessoas. Em janeiro de 2022, contamos até agora cerca de 12 mil casos positivados, 6.5 vezes mais casos do que no ano anterior – e, mesmo assim, contamos com 14 mortos. Sem as vacinas e seguindo a proporcionalidade, teríamos de multiplicar essas 14 vidas perdidas por 6.5, o que totaliza 91 óbitos. Ou seja, nesse cálculo que compara o mês de janeiro de 2021 com 2022, a vacina salvou 77 vidas araraquarenses.

A ciência é irrefutável.

Contudo, mesmo depois de tudo isso, por que a proposta do Passaporte da Vacina em nossa cidade causa tanto alvoroço de setores minoritários? É importante ter a clareza que os grupos que hoje se colocam contrários a essa proposta, são os mesmo que propagandeavam a cloroquina, eram contrários ao uso de máscaras e ao isolamento social, sempre muito ligados ao bolsonarismo e portanto, ao negacionismo.

Foi construído por eles o argumento de que ou salvamos vidas ou a economia – mesmo sendo uma contradição inexistente, afinal de contas, não existe economia sem vida, nem vida sem economia -, desconsiderando por completo a crise gerada pela desastrosa agenda de Bolsonaro e Paulo Guedes, e de que a liberdade individual é intocável.

Porém, a lógica é exatamente a oposta. Quem defende de verdade o trabalhador, o comerciante, o emprego e a renda, deve defender a vida. O que na pandemia, passa invariavelmente, por defender a vacinação. Já, sobre a questão da liberdade individual, segundo a própria Constituição Federal (e seu Artigo 5º, tão invocado nestes últimos tempos), a nossa liberdade acaba quando a do próximo começa. Ninguém tem o direito de transmitir a doença para o outro, previsto no Artigo 267 do Código Penal.

É por isso que, segundo o Datafolha, 81% da população apoia o projeto do Passaporte da Vacina, que em Araraquara foi apresentado por indicação de minha autoria. Comprovar a vacinação significa garantir mais segurança para as pessoas, reduzir o contágio, incentivar a vacinação e proteger o sistema de saúde. Ao contrário do que dizem, o passaporte da vacina nos oferece a liberdade para circular pela cidade com segurança. Essa medida já foi adotada com sucesso em outras cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió e Florianópolis, e por muitos países como Itália, França, Canadá, Austrália, Áustria e pioneiramente pelo Vaticano por orientação do Papa Francisco.

A eficácia e aceitação do passaporte da vacina se deve à compreensão da sociedade de que sofremos as consequências do negacionismo enquanto coletivo. Ou seja, o que embasa essa proposta é a certeza de que o que deve continuar orientando Araraquara é a ciência, a solidariedade e o cuidado com o outro.

Devemos sim exigir o passaporte da vacina em nossa cidade, principalmente em eventos de grande aglomeração, onde o potencial de transmissão da COVID-19 é maior, o que, por exemplo, não é o caso do pequeno comércio.

Infelizmente, a votação da adoção do Passaporte na Câmara de Araraquara foi adiada. Contudo, estou muito otimista que com a participação de todos, de forma democrática e ampla, construiremos um texto consensual entre os vereadores e a tempo de ajudar a salvar vidas e empregos.

*Guilherme Bianco é Cientista Social e bacharelando em Administração Pública pela UNESP. Militante pela Democracia e Educação. É Vereador em Araraquara pelo PCdoB.

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR