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Araraquara: o uso de servidores para dizer não tenho culpa

Por Ivan Roberto Peroni

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No dia 28 de fevereiro de 2020 quando o RCIA divulgou que em Araraquara já tínhamos o primeiro caso de coronavírus, a Prefeitura Municipal nos respondeu: “em um momento como o que vivenciamos, os alardes e especulações não colaboram com a saúde pública e geram pânico desnecessário, colocando em risco a organização do sistema público de saúde”. A mensagem pelo que se entendia era direta para nós. Dezesseis meses depois de criticar a notícia – são 538 mortos.

Falemos de 2021: na semana passada nos postos de vacinação, profissionais foram alertados, que pelo menos duas pessoas haviam sido vacinadas utilizando documentos de pessoas falecidas, crime por falsidade ideológica. Na correria, gente brigando para tomar vacina, é extremamente difícil checar documentos e verificar se de fato o RG foi fraudado, afinal quem está ali trabalhando foi treinado para dar vacina e não fazer o serviço de investigação policial. É o que eu penso.

Questionamos a prefeitura que disse então desconhecer esse tipo de fraude, só que ela já havia acontecido, caso contrário os profissionais da saúde não teriam sido alertados. Como a prefeitura não nos respondeu houve a publicação da notícia. Ela nesta segunda-feira contra-atacou e alegou que havia investigado a suspeita de aplicação de vacina em pessoa já falecida, mas comprovou, através da data de nascimento, que se tratava de pessoas homônimas.”

Na sequência da nota, a prefeitura repete o conceito do desmentido de um ano atrás quando falamos do primeiro caso do coronavírus em Araraquara. Vejam só: “Mais uma vez, a Secretaria Municipal de Saúde lamenta a disseminação de informações equivocadas que só confundem a população, colocando em xeque o trabalho realizado por centenas de servidores da área, os quais já atuam há mais de um ano sem trégua no combate ao coronavírus”.

Observa-se que, a exemplo do que faz com respostas a políticos ou pessoas em Araraquara, a prefeitura tenta inicialmente desqualificar quem a acusa ou denuncia, depois joga terceiros ou usa terceiros contra você – como neste texto: “informações equivocadas que só confundem a população colocando em xeque o trabalho realizado por centenas de servidores”.

Tal prática de fato não combina com quem se apresenta como exemplo para o mundo no combate à pandemia. Desqualifica a informação e usa terceiros como vítimas, para defender sua honra agora colocada também em xeque em dois pedidos para que Comissões Especiais de Inquérito investiguem o suposto mau uso de recursos públicos neste período de pandemia.

A resposta a nós neste caso poderia ter mil versões, mas que fossem adultas e responsáveis, pautadas por conduta mais ética e não intimidatória no estilo Bolsonaro. A mais simples? “Estamos averiguando a veracidade da informação”, e pronto. Vamos esperar.

Só que a resposta veio com chute na canela e o asco de – vamos fazer esse pessoal parar de encher o saco. Voltaremos ao assunto.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR