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Cana, muito além da produtividade

Por Daniel Pedroso

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A irrigação teve origem junto ao desenvolvimento da agricultura e, desde sua criação, passou por várias evoluções. A primeira foi a por sulcos, onde a água dos rios era desviada até a plantação, evoluindo para a aspersão, em 1947, com os primeiros pivôs e, mais recentemente, em 1960, a irrigação por gotejamento.

Contudo, o insumo água nunca foi prioridade no cultivo da cana, pois grande parte do pátio sucroenergético, exceto na região Nordeste, situa-se em regiões onde, em teoria, há baixo déficit hídrico.

Mas, a falta de áreas para produção e o aumento no consumo de etanol e açúcar, forçou setor a expandir para áreas com alto déficit hídrico e solos com baixa capacidade de armazenamento, forçando produtores e usinas a adotar a irrigação em, ao menos, parte da área.

As últimas safras foram marcadas por estiagens, incêndios e geadas, levando a quedas de produtividade na ordem de 15%. Mas algumas usinas, mesmo passando pelas mesmas intempéries, não apresentaram queda de produtividade; pelo contrário, tiveram aumento, especialmente por serem áreas irrigadas.

Dentre os métodos de irrigação, o que mais cresce em procura e adoção é o gotejamento, que além de altas produtividades, fornece benefícios como:

Aumento da longevidade do canavial, com novo conceito de perenização. A exemplo de canaviais que na atual safra atingiram mais de 12 cortes sem necessidade de reforma;

Aumento no TAH, com a técnica de retirada gradual da água (drying off), o canavial irrigado mantém o mesmo padrão de ATR em uma área com maior TCH. E multiplicado o ATR por TCH leva a maior TAH;

Verticalização da produção e aumento na cogeração de energia, diminuindo arrendamento, custos de CTT e produção (R$/ton). Com aumento de produtividade e biomassa, o hectare irrigado consegue gerar mais energia que uma área não irrigada.

Obteve também redução de custos de arrendamento, pois uma área irrigada pode suprir a indústria com matéria-prima, sem necessidade de adquirir áreas, com menores custos de produção, pois como insumos são calculados em kg ou litros por hectare: se produzir mais por hectare, os custos caem.

Além disso, o gotejamento – devido a maior produção de etanol por hectare e a redução de insumos para produzir uma tonelada de cana – pode melhorar a pontuação no RenovaBio, questão tão importante na sustentabilidade prometida pelo governo brasileiro na COP-26.

A nova safra está aí e, com dificuldades que podem ocorrer, por que não assegurar benefícios em seu canavial que vão muito além da produtividade?

*Daniel Pedroso, especialista Agronômico da Netafim Brasil

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR