
Os juros elevados estão levando a população ao desespero. Hoje, gostaria de analisar o impacto das taxas de juros nas finanças do Brasil sob a gestão do governo Lula, com base nos dados da ACD (Auditoria Cidadã da Dívida Pública). A entidade, fundada há 25 anos, é presidida pela auditora fiscal da Receita Federal aposentada, Maria Lúcia Fattorelli — economista de renome internacional e minha estimada amiga.
Em 2025, o governo gastou R$ 1,165 trilhão apenas com juros da dívida pública. Paralelamente, a Dívida Pública Federal Interna encerrou o ano com um estoque de R$ 11,496 trilhões, enquanto a Dívida Externa atingiu US$ 651 bilhões (cerca de R$ 3,403 trilhões). Trata-se de um volume colossal de recursos drenado diretamente do bolso dos brasileiros.
O Reflexo no Consumo e na Qualidade de Vida
Essa crise macroeconômica reflete-se no endividamento da maioria absoluta da população, com impacto devastador sobre a qualidade de vida, especialmente entre os mais pobres. Nem o Bolsa Família, nem outros auxílios assistenciais conseguem aplacar o desespero de quem se tornou vítima permanente da especulação financeira. Com a taxa Selic em 15% ao ano e spreads bancários abusivos, o cartão de crédito deixou de ser uma conveniência para se transformar em um perigoso “complemento salarial”.
A Contradição dos Números
A grande imprensa divulga que o desemprego é o menor desde 2012 e que a inflação está sob controle. Se os alimentos caíram de preço, por que o dinheiro da população acaba tão rapidamente? A resposta é simples e incômoda: os juros elevados são os principais responsáveis pela corrosão do poder de compra.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, em 1º de fevereiro de 2026, o professor Ladislau Dowbor — um dos economistas mais respeitados do país e meu antigo professor no mestrado da PUC/SP, em 1986 — apresentou uma análise técnica e apartidária. Segundo ele, uma SELIC a 15% permite que um grande especulador ganhe cerca de R$ 400 mil por dia sem produzir um único prego. Com esse rendimento, um bilionário compra um apartamento razoável a cada dois dias; em um mês, poderia adquirir um bairro inteiro sem trabalhar.
O Caminho para a Miséria
Se esse modelo persistir, o Brasil empurrará sua população para a miséria. O cenário é dramático: juros abusivos no cartão de crédito, financiamentos proibitivos e a expansão predatória dos empréstimos consignados. Basta observar o que ocorre com aposentados do INSS, que têm seus benefícios — já insuficientes para cobrir despesas básicas com alimentação e medicamentos — comprometidos para enriquecer instituições como Bancos. Auditoria no INSS apurou aproximadamente 300 mil contratos de empréstimos consignados com indícios de fraudes.
Entendo que a política financeira do governo Lula está profundamente equivocada e desconectada da realidade social e econômica da população, sobretudo da parcela mais empobrecida. Caso não seja revista, certamente terá reflexos na campanha eleitoral e na tentativa de reeleição do presidente, ainda que o Congresso Nacional se mostre conivente com esse modelo.
Enquanto isso, nessa conjuntura cruel, os bancos e os banqueiros seguem acumulando fortunas. Somente Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, Banco do Brasil registraram, juntos, um lucro líquido de R$ 124,7 bilhões apenas em 2025. Assim, os juros altos não são apenas um número em planilhas do Banco Central: são, na prática, o motor do desespero social no Brasil.
(*) Walter Miranda, Auditor Fiscal da Receita Federal, aposentado, mestre em Ciências Contábeis pela PUC/SP, pós-graduado em Gestão Pública pela UNESP/Araraquara, militante da CSP CONLUTAS-Central Sindical e Popular e do PSTU-Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados
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