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CPFL, quem te viu no mundo real e agora quem te vê…

Por Ivan Roberto Peroni

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De olhos voltados para números que consolidam suas ambições econômicas, empresas consideradas concessionárias – grande parte delas atuando em Araraquara – oferecem serviço cada vez mais caro e cada vez pior. Não bastasse esse desequilíbrio ocasionado na vida do consumidor, pela ganância, está o desrespeito como complemento ao que ela tem conquistado de benesses em grande parte dos municípios onde está instalada.

Privilegiada então ao longo da sua história teria que apresentar de acordo com que ela próprio diz – responsabilidade histórica com as cidades onde está presente nestes mais de 100 anos de atividades no interior de São Paulo. Contudo, há uma grande diferença entre ontem e hoje, pois a virtualidade acabou com a interação entre a companhia e a população por influência da tecnologia.

É verdade que – antigamente os funcionários dentro de uma comunidade eram a cara da CPFL, tanto aqui ou em distritos como Gavião Peixoto onde uma pequena usina hidrelétrica simbolizava o vínculo da empresa com a região. Assim, um parecia feito para o outro, numa combinação de direitos e deveres, avalizada pelo comprometimento uniforme que dava merecidamente ao seu gerente o ar de autoridade. O simbolismo de praças iluminadas moldava os fins de tarde das pessoas. A combinação era perfeita; o tratamento presencial, olhos nos olhos na esquina da São Bento com a São Paulo, parecia tornar as pessoas ou contribuintes ainda mais felizes. As pessoas mais responsáveis e a empresa mais confiável.

Assim de 1912, quando a CPFL foi fundada com a fusão de quatro pequenas empresas de energia do interior paulista, passando pela sua venda em 1927 para a American & Foreign Power,  permanecendo sob seu controle até 1964, a companhia manteve traços interioranos, estabelecendo normas de amizade e aconchego num bairrismo sem precedentes. A combinação se pautava por bons negócios, amizade, companheirismo e respeito. Em 1975, o controle acionário da já chamada CPFL Paulista foi transferido para a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), do governo do Estado de São Paulo.

Em 2017, a State Grid, maior empresa do setor elétrico do mundo, concluiu a aquisição de 54,64% de participação acionária no Grupo CPFL Energia que pertenciam à Camargo Corrêa e aos fundos de pensão Previ, Fundação Cesp, Sabesprev, Sistel e Petros. Em novembro de 2017, a  State Grid realizou uma Oferta Pública de Aquisição – OPA, por meio da qual passou a deter 94,75% do capital social da holding. A chegada da State Grid aumentou​ a capacidade de investimentos da CPFL Energia e reforçou a sua posição consolidadora no setor elétrico.

Foi então o fim de um desenho de acender e apagar das luzes dos fins de tarde, de distanciamento do consumidor e da companhia, leitura de uma cartilha de desrespeito entre a empresa e o consumidor fundamentado na desigualdade entre direitos de um e deveres do outro. Ora a CPFL por conta das benesses nesta distribuição de normas recebe 9 (nove) deveres; o consumidor então penalizado pela hipocrisia jurídica tem para cumprir 24 obrigações. Coisas que diríamos injustas num país desigual.

Não há mais os Bruno’s Ópice’s como gerentes da companhia, nem olhos nos olhos, nem amigos que se contem nos dedos, há repressão ao bom dia, necessidade de se dar nota aos serviços incrédulos da companhia que trocou sua história por um 0800 inoperante que absorve seu tempo em troca de respostas que não chegam e desculpas que virtualmente explicam a mudança dos tempos, até mesmo de luzes acesas durante o dia nas vias públicas.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR