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Deus nunca enviaria uma praga para os seus filhos

Por Ivan Roberto Peroni

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Daqui poucas horas acredito viver em uma cidade aparentemente fantasma; ruas desertas, comércio fechado, dias longos, noites que deverão nos levar a reflexões e um olhando para a cara do outro dentro de casa a perguntar – por que?

Eu também me assusto, afinal com a idade que tenho vou pela esteira do tempo a imaginar as coisas que aconteceram minha vida a fora: assim, quando nasci a Ferroviária estava sendo fundada pelas mãos de Pereira Lima e de lá prá cá a história me fez ouvir falar de James Dean, Elvis Presley, Celly Campello cantando Estúpido Cupido, John Wayne dando tiros e matando índios nos filmes de Hollywood. Mais que isso a beleza de Elizabeth Taylor. Tudo me incentivava a trocar gibis nas portas dos cinemas – 9 de Julho, Odeon e Paratodos. Vivi o que a vida me ofertou.

Não havia chegado nem aos 11 anos e a seleção brasileira de futebol seria campeã mundial pela primeira vez na Suécia. A minha geração trilhou pelos caminhos dos Beatles e os Rolling Stones na contramão da Bossa Nova, de João Gilberto e Tom Jobim porque havia uma Garota de Ipanema predestinada a enfeitar nossos dias. A Tropicália me alegrava nos festivais da Record com a Banda do Chico, ela Tropicália sacudindo o Brasil com Alegria, Alegria, do Caetano Veloso.

Vimos de tudo ao longo do tempo, ou quase tudo. Pouco tempo tinha para pensar na Gripe Suina, em 2009, ou saber como foi a Gripe Asiática em 1917, ou Gripe Espanhola em 1918 matando 40% da população mundial, isto é, de 50 a 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Daquela doença chamada Ebola identificada em 1976, pouco se fala, ou nunca se fala. Do HIV que assolou o mundo com mais de 35 milhões de pessoas infectadas, é a mesma coisa. Muitas são as lembranças.

Minha geração viveu o que tinha que viver e das sete décadas que carregamos nos ombros não imaginava viver em reclusão por 15 dias, um cárcere para quem sempre esteve na liberdade. Tamanho alarde que parece vir nas asas do tempo e dos ensinamentos bíblicos, pois entendo que Deus, aquele que sabe de todas as coisas, nunca enviaria uma praga para seus filhos, no caso nós. O novo Coronavírus é na verdade o resultado de tantas ações nocivas ao planeta e de mutações virais explicadas pela ciência. Deus pelo contrário, dá ao homem a inteligência.

Foi graças ao sopro de Deus que o homem descobriu a penicilina, os antibióticos, as vacinas e a sabedoria para combater os vírus. Deus mais uma vez dará ao homem condições de encontrar a cura para esta doença.

Não se pode admitir em tempos de uma nova doença que loucos ensandecidos usem meios de propagação como redes sociais para difusão de suas loucuras, de teorias absurdas e outras ações cuja utilidade seja apenas aumentar o medo e o pânico nas pessoas.

Devemos acreditar na ciência e na poderosa mão de Deus que conduzirá nossos cientistas a encontrar a cura para a Covid-19, que virá, como vieram curas para outras pandemias já vividas pela humanidade.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR