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Edna Martins se afasta de cargo no governo. Sinal aberto para candidatura.

Por Ivan Roberto Peroni

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No cenário político local duas situações me chamam a atenção neste momento: abertura do período das convenções políticas partidárias onde as agremiações anunciarão seus candidatos a prefeito e vereador, e o desligamento da grande liderança do PSDB, uma mulher chamada Edna Martins, que vinha exercendo a função de diretora regional de desenvolvimento, dentro do Governo de São Paulo.

É na verdade a primeira peça do tabuleiro de xadrez que se movimenta poucos dias antes do período convencional e tal decisão significa pelo menos que ela, será candidata pois é fato que, em se tratando de um cargo de expressão na política paulista e abastecido por um gordo salário, Edna, não abandonaria então o que lhe é servido no momento não fosse em troca de algo mais interessante.

Ela está errada? Absolutamente. Edna finca seus pés no chão, sai anunciando suas práticas políticas, não se distancia do seu eleitorado que lhe garantiu mais de 28 mil votos nas eleições passadas em meio a uma campanha turbulenta, sem recursos em que – encerrado o pleito, até dívidas ficaram pelo caminho para serem acertadas ao longo do tempo. E foram. Isso não vem ao caso neste momento, pois Edna, inteligente, durante três anos e meio fez valer para o PSDB o que ela representaria num cenário eleitoral.

Ao ter publicado seu nome nesta terça-feira como demissionária no cargo que ocupava, está ela pronta para uma disputa política. Candidata à prefeita? Creio que não. Talvez venha a ser a vereadora mais votada nas eleições municipais na história de Araraquara pois na sua carreira abraçou causas que lhe proporcionam um respaldo recheado de valores éticos e morais. Uma dessas causas, a defesa da mulher.

Edna abre espaço para que seja firmado definitivamente a união dos partidos políticos mais consolidados em Araraquara: o seu PSDB e o MDB de Marcelo Barbieri. E se os dois se unirem – o PT de Edinho continuaria no governo? Vejam que são 28 mil votos de Edna e por baixo também os 12 mil votos que o Aluisio Boi teve como candidato do MDB nas eleições passadas. Isso dá uma certa esperança para os que querem tirar o PT da Prefeitura, pois na opinião deles, Edinho terá menos votos que em 2016, 41 mil. De fato houve desgaste do petista neste seu mandato. Ainda assim seria uma eleição equilibrada, mesmo que este número se restrinja até 30% do eleitorado, não mais 42%, índice obtido por Edinho em 2016.

Neste cenário, dependendo do nome que os dois partidos lançarem e apoiarem, podendo ser Lapena ou Coca Ferraz, que se intitulam pré-candidatos pelo Patriota e PSL, qual quer um teria chances: mas é preciso que qualquer um deles tenha o apoio de PSDB e MDB. Em isso acontecendo o cenário vai ser de direita e esquerda, ladeado por pequenos partidos que vão se definir – se pendem para cá ou para lá.

Dos 100 mil votos válidos que se aguarda e se no máximo 35% serão destinados ao PT, observa-se que a condução do pleito está nas mãos de PSDB e MDB que – poderão eleger um próximo prefeito, desde que juntos, bem como formarem a maior bancada de vereadores, pois os sintomas são de que o PT não fará mais que três. E partidos que entendemos ser pequenos, se quiserem ter visibilidade terão que optar: vamos de um lado ou vamos do outro, pois sozinhos serão peças descartáveis até novembro.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR