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‘Fervo’ no Residencial Alamedas jogou decreto da Prefeitura no lixo

Por Ivan Roberto Peroni

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A situação vivida por moradores do Residencial Alamedas ou Jardim Alamedas, em Araraquara, mostrada pelo RCIA nesta segunda-feira, é digna de pena. Ainda que seja uma região em formação, onde o número de habitantes seja pequeno em comparação aos bairros mais antigos, devemos considerar que o respeito das autoridades em relação a segurança tem que possuir parâmetros igualitários. Ou seja, o mesmo que ofereço aqui para deixar o morador seguro, é o mesmo que devo apresentar ali.

Isso então seria o básico, o elementar. Mas, não é assim funciona. Abrem os olhos para alguns lugares e fecham para outros. Assim agindo, olhos abertos em demasia já levaram uma mulher a ser agredida na Praça dos Advogados; olhos abertos demais já ocasionaram multas ou outras penalidades ao pobre comerciante que forçosamente e por conta de uma canetada teve que se curvar aos caprichos de decretos criados por governantes que controlam aglomerações, concentrações populares e não fazem o mais importante: governar.

O que vimos no final da semana passada e em outros que passaram sob a vista grossa da Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Comitê de Contingência, como também dos demais órgãos que controlam a pandemia em Araraquara, é estarrecedor. A falta de fiscalização que outrora controlou até mesmo de forma agressiva a permanência de uma mulher na praça, num espaço com mais de 10 mil metros quadrados, área totalmente livre, agora se junta a irresponsabilidade dos adolescentes e adultos, envolvendo crianças, num cenário de bebidas e drogas, música alta, aglomeração, concentração, desrespeitando normas de segurança pública e até mesmo o decreto da prefeitura que acabou indo para o lixo.

E não somos nós donos da verdade e muito menos o dono do discurso de que alguma coisa está sendo feita pois isso que vimos não é novo, é uma situação dramática, caótica, de total irresponsabilidade de quem frequenta e de quem olha a distância o circo pegar fogo. Isso já vem de algum tempo, cansando e penalizando os moradores do bairro.  Por incrível que pareça a Secretaria Municipal de Segurança, que é órgão da prefeitura, endossa esse descaso pois vejam só o final da sua nota distribuída à imprensa nesta segunda-feira: “O setor está colaborando com as forças policiais no levantamento de informações para identificação e responsabilização criminal das pessoas que ali se concentram, principalmente no que tange ao tráfico/consumo de drogas e crime contra a saúde pública”.

Quer dizer, passado um, ou passados dois, três, quatro fins de semana ainda estão levantando o quê, se assim agindo mostram que não querem enxergar ou será que é o medo que intimida e assusta a Segurança que teria a obrigação, o dever, de dispersar as pessoas que estão recebendoo vírus e o levando para suas casas, contaminando pais, mães, irmãos, avós?

A concentração, o distanciamento, são regras criadas apenas para impedir quem deseja trabalhar. Gasta-se com campanhas – “não saia de casa”, “fique em casa”. Se é lei, vamos cumpri-la. Baixe as portas. Tranque-se em casa. Que decreto é esse que penaliza uns com R$ 5 mil de multa. Para que serve um decreto que ainda não perdeu sua validade? Infelicidade da Guarda Municipal em dizer que está levantando dados, deixando transparecer que está na proteção a bairros periféricos por questões políticas ou eleitorais. Vamos agir com a mesma agilidade e presteza em defesa dos moradores do Parque das Alamedas. Agilidade que falamos é do caso da mulher da praça.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR