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Liberar a cidade para sediar jogos universitários neste momento é loucura

Por Ivan Roberto Peroni

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Araraquara quer nos parecer está pronta para realizar os Jogos Integrar Inter, competição de caráter esportivo/universitário no final deste mês, dias 29 e 30, onde milhares de alunos vindos dos mais diversos pontos do país se concentram numa disputa.

Dois dias depois de publicado um decreto, quando o sintoma é de que há por parte da Saúde Pública exagerada preocupação com a transmissibilidade da doença, vem o vereador Rafael de Angeli pedir o adiamento da competição, enquanto não estancar esse volume de pessoas contaminadas pelo coronavírus em nossas unidades de saúde.

De fato, não faz sentido se liberar os jogos universitários para que dois, três, quatro mil estudantes venham dos mais diversos lugares e tragam na bagagem por mais cuidado que tenham – a possibilidade da contaminação. Também não consideramos oportuno e necessário que o município seja avalista deste risco que vai comprometer a própria comunidade no seu todo.

Entendo que o simples fato de se criar um decreto – liberando os jogos – tem uma visão mais política que propriamente econômica. Aliás, a palavra decreto criou trauma na população e quando se faz a leitura do documento neste momento, logo se vê que parece ter sido elaborado mais para garantir sua realização, que impedir que eles jogos sejam feitos.

Se foi essa a visão política e administrativa da prefeitura – garantindo os jogos, também não faz sentido a secretária da Saúde insistir para que não tenhamos aglomerações, encontro de jovens na periferia, pancadões, etc – pois a finalidade, os meios e os fins são os mesmos, a diversão.

É verdade que, quando houve a concordância para Araraquara sediar a competição não tínhamos essa nova variante do coronavírus, tanto é que Libertadores da América, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e agora a Copa São Paulo de Futebol Junior estão sendo disputados com a presença de público.

No entanto sejamos realistas – com a nova onda estamos jogando os cristãos na arena para que os leões possam comê-los. Mas isso não é tudo: infectar os alunos na sua maioria é uma tendência, no entanto ao terminar os jogos o que eles poderão nos deixar? – apenas um rastro de contaminação e destruição como consolo.

E além do mais, daqui até o começo dos jogos, não saberemos como a cidade vai estar, se ela estará comportando atender a nossa população, quanto mais atender quatro ou cinco mil pessoas que virão de outros lugares. Se antes tivemos tanto zelo e levamos em conta a responsabilidade médica, técnico-científica por que agora dormir com o inimigo e jogar fora essa atenciosidade que rendeu elogios, segurança e principalmente confiança?

Prá ser sincero o decreto até parece que foi feito para se garantir a realização dos jogos.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR