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Na quarentena não se furta, vamos respeitar os decretos

Por Ivan Roberto Peroni

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Não fosse real, pelo menos curioso seria. A bandidagem se retraiu durante a pandemia em Araraquara, fato semelhante que talvez deva ter ocorrido em todo o Estado de São Paulo neste período de março até outubro. Os dados em questão aparecem no relatório elaborado pela Secretaria de Segurança Pública paulista e divulgados nesta segunda-feira.

Temos comentado que a pandemia mudou nossos hábitos e se de fato abriu nossos olhos para inúmeras situações é interessante dizer, que dos ladrões também: se tornaram mais precavidos acima de tudo, pois com as quarentenas impostas seguidamente, menos gente foi para as ruas e mais pessoas ficaram em casa, buscando logicamente serem guardas de segurança dos seus bens.

O governo não tem muito que comemorar essa redução no índice de ocorrências de furtos; se de um lado está à compreensão da bandidagem de que os riscos para furtar se tornaram maiores, do outro está o lado da Segurança Pública que – não aumentou o efetivo da forma que teria que aumentar e tão pouco deu as polícias – militar e civil o aparato que deveriam possuir para conter o ímpeto dos marginais.

Se a incidência de furtos baixou em mais de 10% é triste olhar a estatística e verificar que os homicídios culposos por acidente de trânsito passaram dos limites nestes 11 meses de 2020: 22, ocorrendo um a cada 15 dias. Isso sim é preocupante, pois é o criminoso que causa o acidente sem as observâncias do dever de cuidado, respondendo então pelo delito existente no Código de Trânsito Brasileiro, caracterizado a forma culposa.

E não há como barrar esse tipo de crime, primeiro pelas circunstâncias em que o motorista se encontra – bêbado ou não – e segundo que a ele foi dado uma arma com o poder de ser usada de uma forma ou de outra. Somos um país despreparado e sem cultura para o cumprimento de responsabilidades. Os exemplos poderiam vir de cima, contudo estes que nos são dados são os piores possíveis e o ser humano se impõe ou responde pelo que o seu próximo faz: se o fulano faz, eu também posso fazer.

Não há também como dizer – criança não verás nenhum país como este, a celebre frase de Olavo Bilac, afinal somos um Brasil onde o governo não tem política para economia, segurança, educação, saúde, cultura, meio-ambiente, relações externas ou o que quer que seja. E mesmo sem nada disso, vemos que a popularidade do presidente se mantém no patamar de 37% dos brasileiros de bom ou ótimo. É um contraste prá não dizer ofensa de uma parte da população movida por benefícios e vantagens passageiras.

E se vivemos uma queda nas ocorrências por furtos logo se imagina que os bandidos são mais disciplinados e organizados sabendo medir a dose do perigo. Vamos respeitar as regras e as normas da Saúde Pública, pois hoje não é tempo de furtar.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR