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Novos tempos. Comércio aberto no 7 de Setembro.

Por Ivan Roberto Peroni

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O funcionamento do comércio em Araraquara em pleno feriado de 7 de Setembro se outrora era proibido, agora por conta de uma economia corroída face a pandemia do coronavírus, aberto possibilitará que o comerciante tenha um certo fôlego, pouco mais de alento e de esperança, consiga ver o dia de amanhã com mais clareza.

Para quem esteve mergulhado em dificuldades por mais de quatro meses, simplesmente ver agora que as portas do seu comércio estão abertas, é muito natural que ganhe disposição, vontade de ver cliente entrando e saindo, ainda que com regras instituídas pela Saúde Pública, esse aproveitamento de datas é um estímulo para quem realmente deseja trabalhar.

O Sincomercio com muita sobriedade faz o seu papel em Araraquara; esse equilíbrio de ações demonstra claramente acentuada preocupação com cada um que tem sua empresa, e, nesta adoção de medidas é evidente que a entidade ao analisar o papel de cada uma sente profundamente por aqueles que fecharam as portas, não suportando o peso de uma responsabilidade que não tinha endereço e nem tempo certos.

Há um outro aspecto que deve ser ressaltado e que abre os nossos olhos: é a transformação dos hábitos da população em seu todo. Temos dito isso até mesmo com certa frequência pois a pandemia veio para nos mostrar um mundo diferente porém real, de convivência plena, salutar, de interação e diálogo. Já não somos donos dos antigos costumes, de costumes que ficaram enraizados no passado.

Haveremos de construir um mundo bom, haveremos de alterar nosso comportamento, pois a nós está sendo dada uma oportunidade de sermos melhores que ontem.

Assim, neste processo de renovação – está o comércio que se abre com o drive-thru, aprendendo com as vendas on line; está o comerciante que pode abrir seu estabelecimento conforme a conveniência dos consumidores; está também o comerciário que se dispõe a estar na loja para vender e ser melhor remunerado, tendo seu emprego garantido; está aquele que pretende estar comprometido com sua própria vida.

Não podemos mais ficar atrelados a burocracia pois os tempos são outros, e, se olharmos lá atrás, anos 50, 60, 70 – vamos ver que fazia funcionar o seu comércio quem bem entendia e neste particular a Avenida Sete de Setembro se apresentava como um dos mais fortes corredores comerciais da cidade, recebendo gente de todos os cantos nos domingos pela manhã. Armazéns, como eram chamados, ainda que no centro da cidade, faziam a mesma coisa – abertura geral aos domingos. Se os shoppings retomaram há 20 anos esse modelo, focando seu funcionamento em uma economia liberal, é sinal que tem sido bom.

Defendemos sim que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados, que existam compensações aos que se dedicarem de forma produtiva à sua atividade profissional e à própria empresa. Mas, no geral, é preciso entender que estamos abrindo as portas para um novo mundo. Os tempos são outros.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR