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O assalto à pizzaria no Selmi Dei e o fracasso das nossas leis

Por Ivan Roberto Peroni

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A sociedade vem definitivamente pagando um preço alto por causa de uma legislação inconsequente, onde os grandes beneficiados são os bandidos, e, prejudicadas são as pessoas de bem. Dentro de um contexto sintetizado não há como mudar, pois na maioria das vezes os que também fazem as leis – delas se aproveitam e se não for a benefício próprio é para ajudar terceiros, valendo-se de brechas que propositadamente as leis permitem.

Vejam vocês que uma pizzaria foi assaltada no final da semana passada no Selmi Dei; além de valores, pouco é verdade, mas dinheiro suado de quem trabalha honestamente e que na maioria das vezes ele fará falta para pagar água,  energia elétrica, só que os canalhas além de tudo, levam a privacidade de quem sente orgulho do seu pequeno espaço, o seu estabelecimento. Não bastasse levaram ainda um Fox e uma moto.

Um dia depois, quem sabe sendo os mesmos dois que assaltaram a pizzaria, acabam capotando o veículo em uma alça de acesso para a Washington Luís. Ora, o prejuízo se completa na vida do trabalhador que apenas agradece a Deus por não ter morrido nas mãos de uns vagabundos. Por outro lado, revoltado pelos estragos causados em sua vida e de seus familiares. Não bastasse, além dos prejuízos fica o trauma de ter que olhar para a porta a todo instante, imaginando a chegada de novos bandidos em sua pizzaria.

Quem seriam os assaltantes: o maior de 18 anos e o adolescente de 14 anos? Ou será que dois maiores assaltaram e no capotamento o de 14 estaria apenas acompanhando o que estava com o carro. Outra dúvida: onde guardaram o carro roubado uma noite inteira e um dia inteiro? Se foi em suas casas os pais são coniventes pois um carro não surge em nossas vidas da noite para o dia; se não foram os pais, outros lhes deram guarida e são cúmplices da mesma forma.

Não bastasse esse cenário, a prisão do jovem é incontestável, por andar num carro furtado, ter droga no veículo e estar com o adolescente no veículo capotado; e o maior só não pode ser preso pelo assalto se não houver reconhecimento pelas vítimas ou a confissão do próprio bandido. Quer dizer – são necessárias provas.

O que se torna repugnante é liberar o menor para os pais, quando ele também é no mínimo participante de um ato criminoso – carro roubado, drogas. Ou será que em sendo um santo lhe passaria batido saber que – naquele momento estaria sendo um delinqüente. O correto então seria ser abrigado em alguma instituição até o esclarecimento dos fatos.

Quando a gente fala de leis vagabundas privilegiando a bandidagem é porque nós, sociedade também somos complacentes com aquilo que as leis nos oferecem. Ficamos calados, no silêncio, pois achamos que o que aconteceu na semana passada só vai de fato acontecer com a pizzaria, jamais conosco. Prá ser sincero, somos um navio desgovernado em águas inseguras – de norte a sul.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR