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O comércio e as coincidências durante a pandemia

Por Ivan Roberto Peroni

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Por 30 dias a pergunta – Qual a melhor solução para o comércio durante a pandemia? ficou exposta na capa do Portal RCIA para que a população pudesse responder e avaliar se as restrições encontravam unanimidade junto à classe empresarial. Neste período é que inúmeras medidas foram tomadas pelos profissionais da Saúde Pública com base em elementos técnicos e científicos provocando alterações nas regras visando minimizar a propagação da doença.

Isolamento social, uso de máscaras de proteção, distanciamento entre as pessoas em filas, aliaram-se a implantação do sistema de atendimento médico-hospitalar às pessoas que por conta da sua atividade tinham que circular no município. Foi talvez o momento mais crítico da passagem do coronavírus por Araraquara deixando um rastro de 15 mortes e 1.200 casos de pessoas contaminadas.

Em meio à aplicação de medidas mais restritivas esteve a economia da cidade formada basicamente pelo comércio e serviços, considerados os setores mais atingidos, como lojas, restaurantes, lanchonetes e bares que mergulharam em uma crise sem precedentes. A indústria e o agronegócio, embora com a adoção de normas de controle não sofreram tanto quanto o comércio não essencial.

Também durante os 30 dias em que a pesquisa se manteve no ar para a votação apontando como alternativas – abertura geral, fechamento, drive-thru, nenhuma delas e dia sim-dia não, observou-se uma peculiaridade: que a abertura geral do comércio manifestada por 39% dos votos coincidia com o índice de isolamento social que o município manteve durante a fase crítica da pandemia.

Isso quer dizer em análise sucinta que a média de isolamento social da cidade foi a mesma de pessoas interessadas na abertura total das atividades comerciais: 39%. Já o fechamento do comércio durante o tempo da pandemia – 30%, é outra semelhança pois a soma dos dois principais itens pesquisados se aproxima do índice exigido pelo Sistema de Monitoramento Inteligente do Governo do Estado de São Paulo, ou seja 70%.

Há semelhanças também com o funcionamento do dri-thru, sistema de entrega de mercadorias sem que o cliente entre na loja e também não desça do veículo, adotado quase que 70 dias após as lojas e os restaurantes estarem totalmente fechados. Se 22% da população votou na implantação do drive-thru é sinal de que o sistema minimizaria os impactos negativos do comércio não essencial, juntando-se às práticas do delivery dos restaurantes e lanchonetes, que ajudaram os comerciantes a encontrar uma luz no fim do túnel.

A reflexão sobre a paralisação iniciada em 23 de março apontando 113 dias de instabilidade, incerteza, insegurança, desencontro de informações nos leva a repensar sobre hábitos, costumes, desapego às questões materiais, proximidade entre os seres humanos e até mesmo com os animais, valorização do diálogo e a interação pessoal, pois foi um período de medo pela morte que bateu na porta de cada um de nós. Talvez tudo volte a ser como era: um mundo de ambição, vaidade, egoísmo, de poder e principalmente de corrupção pois gastou-se talvez o que não seria preciso.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR