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O sucesso pode estar na ponta do lápis!

Por Maria Emília Souza Taddei

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Estamos em reta final de 2021, um ano que, impôs a todos nós alterações da nossa maneira habitual de agir, reorganização das nossas estruturas de trabalho e lazer e principalmente nos obrigou a aprendermos novas formas de convivência, com nós mesmos e com o próximo, para termos chance de sobrevivermos à Pandemia.

E como é que se faz tanta mudança, de quase tudo e pra todos, em tão pouco tempo sem que, nos sintamos completamente perdidos!

Creio que todos nós passamos por inúmeros momentos de insegurança, de aflição, de desespero mesmo, até que encontrássemos dentro de cada um de nós, uma forma de recomeçarmos, nesse novo tempo que, está surgindo. A famosa imposição do: “Fique em casa” levou cada um a procurar jeitos diferentes de viver que, pudessem trazer algum resultado positivo.

É engraçado observar, como a vida se encarrega de apresentar novas oportunidades, pra aquelas pessoas que, estão abertas às mudanças e por isso, conseguem enxergar outros caminhos, mesmo em meio a nevoeiros tão densos como este trazido pela pandemia da Covid 19.

Pra mim, escrever foi uma forma que, encontrei pra organizar meus pensamentos, meus sentimentos, de me conhecer mais a fundo. Porque funciona como uma válvula de escape para as situações estressantes do dia-a-dia.

Quando nós adotamos a prática de escrever, ela pode se tornar um verdadeiro processo de limpeza, de purgação mesmo, como diz uma grande amiga, pois ali, em nossas anotações, nos expressamos de forma pura, sem nos preocuparmos com julgamentos, apenas escrevemos o que sentimos, o que observamos, com autenticidade, assim exercitamos uma proximidade com nossas próprias emoções e idéias sobre as quais, muitas vezes, não conseguimos pensar, nem falar.

Todos nós, quando começamos a escrever criamos um momento só nosso, importantíssimo, no qual o fluxo das nossas ideias e vontades se exterioriza. O que importa nessa hora, são as nossas demandas e não as dos outros !!!

Qualquer um pode iniciar esse processo da escrita, listando seus afazeres diários, o que faz, como faz, porque faz aquilo, se gosta ou não, como se sente fazendo; um assunto puxa o outro, a princípio é só anotar a sua rotina e seus sentimentos sobre ela; faça isso durante a semana toda. No final de semana você vai reler tudo que, escreveu e aí você terá uma ideia mais clara sobre seus afazeres, seus pensamentos e sentimentos em relação às atividades que você realizou nesse período. Você vai “enxergar” o seu entorno, vai perceber suas reações em relação aos fatos que,
ocorreram e assim vai começar a entender o que está acontecendo com você e com suas atividades.

Ao escrevermos sobre uma situação do nosso dia-a-dia processamos os sentimentos envolvidos naquilo que, estamos colocando no papel, atribuímos significado às nossas experiências e a partir daí, passamos a ter conhecimento e domínio dos nossos
sentimentos e eventos que, até então não reconhecíamos; começamos a ver o que funciona e o que não dá certo, vamos descobrindo as coisas ao nosso redor e podemos concluir porque elas acontecem…

Quando lemos aquilo que foi escrito, nós atenuamos a nossa reação emocional aos acontecimentos ali narrados, assim mais tranquilos, conseguimos pensar no que fazer, pensar numa melhor solução para o que está mostrado no papel.

E aos poucos estendemos essas anotações, para todos os eventos que, ocorrem na nossa propriedade e dessa forma passamos pra um novo estágio, onde temos percepção do nosso negócio como um todo.

Assim fizemos durante esse ano, em que, o SENAR em parceria com o Sindicato Rural, através do Prof. Ricardo Bonotto, ofereceu para algumas de nós, como havíamos solicitado, um curso de Empreendorismo Rural no qual fomos levadas a pensar e a escrever sobre o nosso negócio. Inicialmente listamos uma série de ativos, procedimentos, situações que, nos envolvem e demos, dessa maneira o “start” num processo de “quebrar a cabeça” pra reconhecermos a nossa atividade, de uma forma muito mais verdadeira, real.

Muitas de nós, Mulheres do Agro que, como eu, estamos começando nosso negócio nesse ramo, ouvimos tantas vezes que, pra termos controle de nossas atividades devemos usar os softwares atuais, muito mais abrangentes e confiáveis que, o antigo “caderninho”. No entanto, os iniciantes numa atividade conseguem compreende-la e literalmente enxergá-la a partir do momento em que, fazem suas primeiras anotações.

Por isso, meninas, minha sugestão pra início desse Ano Novo de 2022, que logo chegará, é pra começarem a fazer diariamente, suas anotações, primeiramente à mão, identificando as atividades na sua propriedade, seus ativos, quem são seus funcionários, seus parceiros. E tenho certeza, de que passarão a “enxergar” com mais clareza, as habilidades e competências próprias, da equipe e dos envolvidos e por consequência dessas observações, compreenderão o que realmente acontece na sua propriedade, identificarão o que realmente está bom e onde é preciso intervenção, suporte!

Para que nosso negócio seja produtivo, ele precisa combinar conosco e pra isso é preciso que a gente tenha pleno conhecimento daquilo que realmente queremos e da nossa propriedade. “Onde há clareza, há melhores resultados, maior produtividade e por consequência maior rentabilidade pro nosso negócio”.

Então, Meninas do Agro, borá lá, peguem seu lápis, caderninho e mãos à obra!!

*Maria Emília Souza Taddei, é empresária do agronegócio, associada do Sindicato Rural e integrante do Grupo Mulheres do Agro Araraquara

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR