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Os candidatos a prefeito e suas promessas eleitoreiras

Por Walter Miranda

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É incrível como, em todas as eleições, os candidatos repetem as mesmas promessas e os mesmos discursos. Prometem emprego, habitação, saúde e educação. Falam em obras e mais obras sem indicar, claramente, as fontes de recursos.

Vivemos numa economia cada vez mais globalizada. Portanto, o candidato a prefeito prometer acabar com o desemprego em Araraquara, sem considerar a crise econômica mundial, e o avanço da informática, robótica e cibernética, na minha opinião, é demagogia.

É lamentável um candidato, que se auto elogia como o mais competente para governar, não reconhecer que os governantes federais, inclusive o atual, nos últimos anos, deixou de investir em educação, pesquisa, formação profissional, por conta do modelo econômico neoliberal.

Em 2019 o Brasil arrecadou tributos no montante de R$ 2,711 trilhões, direcionando 38,27% (R$ 1,038 trilhão) para pagar juros e encargos da dívida pública, e somente 4,1% (R$ 111 bilhões) foi gasto com educação. Sem educação não temos cientistas, pesquisadores, desenvolvimento tecnológico e econômico. Os candidatos a prefeito não dizem nada sobre isso, talvez para não criticar o governo Bolsonaro como culpado pela crise social.

Nos anos 80 e 90 nossa região, beneficiada pelo setor sucroalcooleiro e de produção de sucos de laranja, empregavam muito trabalhadores. A absorção de mão de obra de outras regiões do país, principalmente do Nordeste, era muito grande. Não havia desemprego.

Nos últimos anos, é notável o avanço da cibernética e robótica na região, desempregando milhares de trabalhadores. Por que os candidatos omitem esta realidade e ficam prometendo emprego, mesmo com a perspectiva de prolongamento da pandemia do Covid-19? Penso que são eleitoreiros e oportunistas. Imaginem os prefeitos dos 5.700 municípios do Brasil, após eleitos, fazendo filas em Brasília pedindo recursos financeiros para seus municípios. Haja dinheiro em época de crise que não vai terminar tão cedo.

O Brasil está com mais de 14 milhões de desempregados. Dados da Secretaria do Trabalho e IBGE, indicam que o número dos desempregados, em Araraquara, dobrou neste ano de 2020. Como prometer atrair empresas doando somente terreno? Para uma empresa se instalar numa região, é preciso mais condições. A solução será doar áreas de terra para as empresas como prometem alguns candidatos? Isso é muito pouco?

O saudoso Luiz Gonzaga, um dos mais famosos artistas brasileiros, na música “Vozes da Seca” dizia: “Doutô uma esmola a um home qui é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão…” (sic). Assim, chega de esmolas para a classe trabalhadora. É preciso emprego e salário digno, sem falar na redução da inflação dos alimentos, cujos preços estão nas alturas. Isso é culpa do prefeito? Penso que não, mas da política econômica implementada pelo governo federal.

Há alguns anos, a Cohab Bandeirantes roubava, claramente, milhares de pessoas nos bairros Selmi-Dei e Yolanda Ópice, com reajustes das prestações, punições dos inadimplentes, com a conivência ou omissões de muitos vereadores ainda com mandatos, e de parte dos atuais candidatos a prefeito. Na época havia mais de 300 ações de despejos colocando na rua milhares de seres humanos.

Indignada a população, na época, ocupou a Câmara Municipal para exigir os apoios dos vereadores. Infelizmente o então presidente, posteriormente preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mandou chamar a polícia para agredir os mutuários. A maioria dos vereadores, alguns candidatos à reeleição, se uniram ao vereador corrupto, defendendo a Cohab Bandeirantes e contra os mutuários.

Não vi, na época, nenhum dos candidatos a prefeito, que agora prometem obras faraônicas para o Selmi-Dei, nos 11 anos de luta, estarem ao lado dos moradores, principalmente nos momentos de enfrentamentos contra a polícia para impedir os despejos. Agora prometem obras faraônicas, internet para todos e até o fornecimento, gratuito, de celulares para os pobres, habitação e criação de empregos. Não apontam, claramente, quanto tudo isso vai custar para os cofres da Prefeitura, infelizmente afetado pela crise da pandemia do Covid-19.

(*) Walter Miranda, presidente do Sindifisco Nacional-Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil/Delegacia de Araraquara e militante da CSP-CONLUTAS-Central Sindical e Popular.

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