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Perigo! Locomotiva fora dos trilhos.

Por Adilson João Tellaroli

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É oficial. O Paulistão começa dia 28 de fevereiro e a tabela básica foi divulgada pela FPF. Certamente pela espinha do torcedor mais fanático, passa um frio que arrepia, pois juntamente com a esperança de uma boa campanha, chega o medo de um possível rebaixamento, principalmente entre as equipes do interior.

No caso de Araraquara, infelizmente essa preocupação triplicou nos últimos dias! Mais uma vez às vésperas do campeonato, não sabemos qual o nosso time base, quem vai dirigi-lo e em que condições. A exemplo do ano passado, fala-se em dispensas, estamos sem treinador e envoltos desta vez em escândalo fora dos gramados. Muito já se comentou a respeito do envolvimento do investidor Saul Klein com a justiça. Não vamos entrar a fundo na questão, porque pertence à esfera judicial que não é nossa área. Além do que, culpado ou inocente, é um veredicto que ainda vai demorar. E aí mora o perigo!

A Ferroviária não pode esperar e por mais que se tente blindar o elenco, o fato causa preocupação nos jogadores, traz incertezas, instabilidade emocional e afeta também os demais dirigentes. Como vemos, além do trabalho de remontagem do elenco, contratação de treinador e comissão técnica, os dirigentes precisam trabalhar com afinco para acudir também uma outra área fora do futebol. Não basta apenas o afastamento do dirigente, pois queiram ou não seu nome está vinculado ao clube, enquanto a Ferroviária for dependente do seu dinheiro e receber suas ordens, mesmo que fisicamente à distância.

Não bastassem os erros dentro de campo cometidos ao longo do ano, surge agora mais esse grave problema na vida grená. Cinco treinadores contratados ao longo da temporada, cerca de 40 atletas passando pelo clube, dinheiro gasto a rodo e chegamos ao final da temporada sem praticamente nada, colecionando eliminações contra adversários com menor estrutura e potencial técnico que normalmente nos permitiriam avançar mais, sem muitas dificuldades. Como escrevi no início dessa parceria, dinheiro é bom, mas não é tudo! Gostaria de ter errado, mas infelizmente não foi o caso.

Está na hora do time voltar a ser tocado por quem entende de futebol e não apenas de dinheiro. Claro que o lado financeiro é importante, mas a Ferroviária precisa de menos palpites, menos política e mais profissionalismo. Afinal o modelo de gestão implantado lá atrás, deu certo mesmo com menos recursos financeiros.

Como profissionais que são, Roque Junior e Vinicius Munhoz, devem estar lamentando os percalços atuais na vida da Ferroviária mas cá entre nós, teriam bons motivos para estarem gargalhando.

O assunto porém é sério e amedronta: o perigo vem na próxima curva e a Locomotiva está fora dos trilhos!

*Adilson João Tellaroli – conhecido como “bola branca”, é jornalista esportivo e faz parte do Portal RCIA

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR