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Queiram ou não, o Pintado avançou o sinal

Por Adilson João Tellaroli

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A maratona de jogos do Campeonato Paulista, como nos demais, tem feito os técnicos trabalharem praticamente com dois times. No caso da Ferroviária, não tem sido diferente, porém sem muita necessidade de assim proceder, já que houve espaço regular até agora entre uma partida e outra.

Desse modo, não atinei bem com a proposta do técnico Pintado em mexer na equipe como fez diante do Guarani, um jogo chave para as pretensões afeanas! O time que precisava de alguns ajustes, sofreu mais que o esperado para tentar engrenar e não conseguiu. Para complicar, sofreu a primeira derrota em casa. Quando você perde para um grande ou uma equipe de ponta do interior, é menos complicado. O Guarani é um dos times que lutam em igualdade de condições com a Ferroviária e o revés, deixa o time grená em maus lençóis, porque terá agora compromissos mais difíceis pela frente e começa a trabalhar dentro daquela necessidade de pontuar. Com duas derrotas seguidas, a equipe araraquarense empacou nos 10 pontos e começa a ver no seu calcanhar outros que estavam distantes, na busca dos mesmos objetivos.

E o torcedor pergunta o que estaria acontecendo. Além do declínio técnico, temos convicção que algo mais importante está influindo. A entrevista do técnico Pintado, dizendo que já havia cumprido sua missão, que a Ferroviária praticamente não corre mais risco de cair, foi um balde de água fria em muitos torcedores e pior, atingiu boa parte do elenco, basta ver dentro de campo. Não vou exagerar e dizer que o treinador perdeu a voz de comando, mas certamente ficou menos confiável. E isso se refletiu sim, no comportamento do time. Talvez o próprio Pintado tenha chegado à conclusão que exagerou na dose e ao tentar consertar, errou de novo, ao sacar do time alguns jogadores imprescindíveis numa equipe que ainda tem problemas técnicos. Difícil é entender como um profissional experiente, foi cair nessa, demonstrando incrível falta de prudência!

Claro que o interesse do Goiás ou de qualquer outra equipe pelo seu concurso, faz parte da rotina futebolística, porém teria sido melhor e mais razoável, se o treinador tivesse agradecido o interesse e deixado uma conversa mais objetiva para depois. Ele alega que não conversou oficialmente com ninguém, que seu compromisso ainda é com a Ferroviária, mas inegavelmente “avançou o sinal”, principalmente ao dizer em entrevista, que sua missão estaria cumprida e demonstrando entusiasmo acima da média com os goianos. E eu pergunto: qual missão está cumprida? Nem classificou a equipe e nem escapou ainda do rebaixamento. Estamos no meio do caminho e a Ferroviária precisa reagir de imediato. Conseguirá o técnico fazer isso? Ou estaria na hora de “pegar o boné”? Sem querer ser pessimista, a reação não pode demorar e os próximos jogos irão nos apontar o caminho

*Adilson João Tellaroli – conhecido como “bola branca”, é jornalista esportivo e faz parte do Portal RCIA

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