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Teatro: construção em 2 anos, reforma em 7 anos.

Por Ivan Roberto Peroni

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A idade às vezes atrapalha e sinceramente nem sei se recebi o convite para acompanhar as festividades de reabertura do Teatro Municipal. Mas, isso também não vem ao caso e nem me preocupa, pois já não me atento a bajulação, tapinha nas costas e o tom da ironia. O tempo me ensinou a ser, integralmente o que sou: um simples jornalista.

Mas, fico a imaginar o que foi. Uma festa, que diria ter sido de primeira, mas que já poderia ter sido feita não fosse a pandemia. Ah, essa pandemia. Sim, a pandemia foi o cordão a salvar vidas, uma “luta desenfreada que virou rima para o sentimento e o amor, sem contar o tamanho da dor, levando gente fora do combinado”.

Mas, a pandemia ajudou muito político a justificar a razão pela qual não fez. Não dava para fazer isso, não dava para fazer aquilo, eu tinha que salvar vidas, e até hoje, a pandemia tem seu santo nome usado em vão, pois tanto a ela, quanto ao coronavírus, são creditados os rastros de desgraça e perda de entes queridos.

Em Araraquara, isso, cá entre nós, não aconteceu. Fomos exemplo para o mundo, capaz de colocar o matemático e físico Isaac Newton, no chinelo, então um sujeito bom de conta sábio para falar de tempo. Na pandemia, só nós tivemos a receita regada ao Lockdown, protocolo de emergência que evitou que as pessoas saíssem de suas casas para atividades consideradas, principalmente trabalhar.

Mas, temos que ser justos.

Tiramos do pó uma obra de arte e podem ter certeza que o prefeito Edinho fez das tripas o coração para devolver o que sempre nos pertenceu, afinal araraquarense do jeito que sempre fomos prezando os traços e os costumes dos nossos antepassados, ainda podemos ver, enxergar o mérito do ser humano, e, mais ou menos entender o tempo.

Se foram gastos vamos dizer, R$ 4, R$ 5, R$ 6 milhões, isso não nos importa. Importa mesmo a manutenção da lembrança de quem projetou, de quem construiu, até mesmo de quem escolheu o lugar, dando a nossa arte e a nossa cultura, o berço esplêndido a encantar quem passa agora pela Bento de Abreu.

Hoje me coloco a pensar sobre o resultado da conversa que o escritor e teatrólogo Wallace Valentim Leal Rodrigues teve com o seu parente, prefeito Clodoaldo Medina em 1972 – você agora tem o mandato de prefeito e pode construir um novo Teatro Municipal, a cidade aguarda. E Clodoaldo como parente de fé e irmão camarada respondeu: “Daqui 2 anos vai estar pronto”.

E Medina dentro do prazo dado a Wallace, deixou o teatro pronto para Valdemar de Santi, inaugurar em 1977. Tudo feito em 2 anos, a partir do instante que as mãos hábeis dos arquitetos Arnaldo Gonzalez Palamone Lepre e Francisco José Santoro colocaram no papel um estilo arquitetônico moderno, projetado com a característica do tempo avançado de cidade emergente. Uma obra construída com o suôr e a sabedoria de gente, enraizada nesta Morada.

Por ironia do destino construímos em 2 anos, o que agora foi reformado em 7 anos. Maldita pandemia.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR