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Um amor louco e as consequências que a sociedade assume

Por Ivan Roberto Peroni

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O seqüestro, depois o estupro de vulnerável, de uma menina de 13 anos, em atos cometidos por um vigilante de 30, em uma rota de Maranguape no Ceará até Araraquara no Estado de São Paulo, culminando com a prisão do homem e o seu suicídio no interior da Cadeia Pública de Santa Ernestina, abre um debate sobre o comportamento da sociedade e a influência das redes sociais na vida das pessoas.

A evolução tecnológica tem pago um preço muito alto pelo desconhecimento das conseqüências geradas na vida de pessoas despreparadas; o exemplo pode ser dimensionado na inexperiência de uma garota de 13 anos, enraizada nos sertões do nordeste, cheia de sonhos, motivados pela força da comunicação, e um segurança ou vigilante que em momento algum se atentou para os princípios e as regras que norteavam sua atividade.

Abestalhados estamos nós que acompanhamos a destruição de duas famílias em menos de 72 horas, isto é a partir da prisão do individuo pelo seqüestro e o estupro da menina no começo da sua adolescência. Não vamos entrar no mérito do caso para dizer se é amor, paixão ou loucura, pois entendemos que a sociedade é que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam essas tecnologias.

Posso utilizar a tecnologia para comprar uma pizza, como também para desgraçar a vida do próximo. A evolução da tecnologia das redes de computadores permitiu um avanço na geração de diferentes formas de comunicação entre as pessoas, pois através das redes de computadores é possível conectar-se, superando grandes distâncias e alcançando grandes velocidades de comunicação.

Isso foi o que aconteceu com a garota e o vigilante, distantes há 2.800 km um do outro. A distância trouxe um para perto do outro, só que a mesma distância deixou de mostrar as consequências concentradas no desespero dos pais que perderam a filha para um mundo totalmente desconhecido e manipulado pela irresponsabilidade de quem saiu daqui para ir ao nordeste em busca de aventura, sabendo pela própria profissão que exercia que isso ia dar problema. E deu, virou tragédia.

Nós que trabalhamos com a comunicação sabemos que o celular, computador é uma necessidade constante. Em nossa atividade diária as redes sociais deixaram de ser apenas uma forma de manter contatos, passando a ser fonte de informação, publicidade, oportunidade e também lazer. Para outros não. As conseqüências vão do uso prolongado, totalmente desnecessário, às brigas entre marido e mulher, pais e filhos, aumentando para pessoas assim, o distanciamento da realidade do mundo que vivemos.

Eu penso que as pessoas estão inseridas na sociedade, por meio das relações que desenvolvem durante toda sua vida, primeiro no âmbito familiar, em seguida na escola, na comunidade em que vivem e no trabalho; enfim, as relações que as pessoas desenvolvem e mantêm é que fortalecem a esfera social. A própria natureza humana nos liga a outras pessoas e estrutura a sociedade em rede.

Agora temos um louco caso de amor, entre aspas, a provocar um debate na sociedade para saber quem está certo, quem está errado, mas fica para o pagador de impostos mais uma conta pois o Conselho Tutelar terá que levar a garota de 13 anos de volta ao Ceará e a conta pior, quem sabe, o seguro pela morte do vigilante dentro da cadeia, pois estava ele sob a guarda do Estado.

*Ivan Roberto Peroni, jornalista e membro  da ABI, Associação Brasileira de Imprensa

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do RCIARARAQUARA.COM.BR