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1º Seminário Estadual da População Negra LGBTQIA+ é realizado na Câmara Municipal

Iniciativa é da vereadora Thainara Faria, do Coletivo Mais Plural e da Prefeitura

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Em busca de respeito à diversidade sexual, racial e de gênero, foi realizado, na quinta-feira (21), em Araraquara, o 1º Seminário Estadual da População Negra LGBTQIA+, cuja abertura aconteceu na Câmara Municipal. Uma iniciativa do Coletivo Mais Plural, da Prefeitura e do gabinete da vereadora Thainara Faria, que, por problemas de saúde, não pôde comparecer ao evento.

Para o prefeito Edinho Silva (PT), é importante unir os debates contra a homofobia e o racismo para a construção de uma sociedade sem discriminação e preconceitos. “Estar presente aqui significa que o resultado desse debate vai ser trabalhado pela Prefeitura para se tornar uma política pública”, afirmou.

Embora maioria da população brasileira, negros e pardos ainda são minoria nos espaços de poder. Situação que se torna ainda mais desigual quando se trata de transexuais, conforme apontou Erika Matheus, uma das idealizadoras do evento e integrante do Coletivo Mais Plural. “Infelizmente, 90% da população trans encontram na prostituição o único meio de subsistência, porque tanto educação quando trabalho nos é negado. É preciso ainda considerar que a maior parte dessa porcentagem é negra e cerca de 60% das que morrem em razão de serem o que são também são negras”, lamentou.

Além da Câmara Municipal, o evento contou com ações no Centro de Referência e Resistência LGBTQIA+ e no Palacete das Rosas. “São espaços que sempre foram negados a essa população e ocupá-los traz esta sensação de pertencimento”, justificou a assessora de Políticas Públicas LGBT em Araraquara, Filipa Brunelli. Também participaram do seminário o vereador Toninho do Mel (PT) e outras autoridades.

Opressão X Liberdade

A primeira mesa de discussão abordou a opressão enfrentada pela população negra LGBTQIA+ em busca de liberdade. Médico e militante das minorias, Fred Nicácio apontou para a necessidade de se combater o racismo velado. “Se alguém se choca quando entra no meu consultório e se depara com um médico negro é porque tem alguma coisa errada. Se eu sei onde encontrar branco e onde encontrar negro, é sinal que existe Apartheid no Brasil”, disse. Integrante da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Diego Oliveira falou sobre a importância de “inspirar as pessoas a ocuparem os lugares que elas têm direito no país, sem serem barradas por causa de questões de cor, de gênero ou expressão.”

Nascida em Araraquara e uma das maiores revelações da música brasileira, Liniker é uma mulher trans que também usa sua voz como forma de resistência: “Estas discussões, onde vários pontos de vista são colocados em pauta, expandem a capacidade de pensar nosso corpo não como individualidade, mas como expansão de um movimento, de uma luta, em que não estamos sozinhas.”

Representatividade foi o que a artista Natália Munroe encontrou no seminário. “É muito bom ver meus pretos no topo, como a gente costuma dizer. Saio daqui com a alma lavada de saber que a gente pode tudo que quiser”, celebrou.