Home Cidade

Aniversário de SP: centro ganha recomeço com fim da Cracolândia após ações do Governo de SP

Medidas ampliaram a proteção social e garantiram dignidade a pessoas em situação de vulnerabilidade

61
Em janeiro, a região completou oito meses sem a concentração de usuários de drogas

Um conjunto de políticas públicas do Governo de São Paulo que inclui o fim da Cracolândia deu ao centro da cidade de São Paulo, que celebra 472 anos neste domingo (25), uma nova perspectiva de futuro. Após décadas marcadas por degradação urbana, violência e exclusão social, a região vive um processo de requalificação impulsionado por ações nas áreas de segurança pública, saúde, desenvolvimento social, habitação e urbanismo.

Em janeiro, a região completou oito meses sem a principal cena aberta de uso de drogas do país, resultado de uma atuação articulada que já produziu efeitos concretos, como a prisão de mais de 21,6 mil pessoas desde 2023, a apreensão de 13,4 toneladas de drogas, a retirada de 682 armas de circulação e a recuperação de cerca de 2 mil veículos na região central.

“Foi preciso pensar diferente e fazer diferente para chegar aonde ninguém chegou, para ter os resultados que nenhuma outra gestão teve”, disse o vice-governador Felício Ramuth, que coordenou as ações relacionadas à Cracolândia desde 2023.

Na área antes dominada pelo fluxo da Cracolândia, os roubos e furtos caíram 39,6% entre janeiro e novembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2022. No mesmo intervalo, quase 20 mil ocorrências deixaram de ser registradas apenas nos distritos policiais diretamente ligados às antigas cenas de uso.

Paralelamente ao combate ao tráfico, o Governo de São Paulo estruturou a Linha de Cuidados Integral a Adultos com Necessidades Relacionadas ao Uso de Crack, Álcool e outras Drogas. A iniciativa ampliou leitos (a oferta de leitos exclusivos para desintoxicação foi ampliada de 140 para 728), criou serviços de acolhimento terapêutico e fortaleceu ações preventivas, consolidando uma base de dados que garante continuidade, aprimoramento e avaliação permanente da política pública.

No início da gestão, cerca de 3 mil pessoas frequentavam as cenas abertas de uso. Esse número caiu progressivamente até a desarticulação do fluxo concentrado, em 10 de maio de 2025. Também foram criados 14 complexos de Casas Terapêuticas, totalizando 56 unidades, e implantados 11 Espaços Prevenir, voltados exclusivamente às ações preventivas.

Com a implantação do Hub de Cuidados em Crack e outras drogas, consolidou-se uma nova abordagem, com serviços integrados em todas as etapas da linha de cuidados. Desde sua implantação, foram realizados 37,9 mil atendimentos e 32,9 mil encaminhamentos para hospitais especializados e comunidades terapêuticas.

A Agência SP ouviu um dos beneficiados pelas ações de acolhimento, que não pode ser identificado. Ele viveu 17 anos em situação de rua e na cena aberta de uso e relata que chegou a acreditar que jamais conseguiria abandonar as drogas. Próximo de concluir o tratamento, celebra mudanças profundas: retomou o contato com a família, voltou a estudar e conquistou um emprego com registro.

A rotina anterior era marcada por longos períodos nas regiões da República, Luz e Arouche, consumo contínuo de álcool e crack, discriminação e noites nas ruas. “Viver nas ruas não é fácil. Hoje eu tenho a minha casa, conquistei minha autonomia, tudo através do meu processo e foco e do acolhimento adequado”, afirma. “Quando cheguei para ser acolhido, eu só tinha a roupa do corpo. Mesmo assim, fui recebido com amor, com paciência e com regras que me ajudaram a reconstruir minha vida.”

SEGURANÇA REFORÇADA

A política de segurança pública no centro também foi fortalecida. Mais de 400 policiais militares foram incorporados ao policiamento da região, houve ampliação da Atividade Delegada, entrega de duas novas sedes policiais, oito bases comunitárias e a aquisição de 80 motocicletas. Atualmente, mais de 2 mil policiais atuam diariamente no centro da capital.

Projeção de como será o novo centro administrativo do Governo de São Paulo

A integração tecnológica avançou com a conexão de câmeras do programa Muralha Paulista, do Governo do Estado, e do Smart Sampa, da Prefeitura, a 50 motocicletas da Polícia Militar e 50 da Guarda Civil Metropolitana, ampliando o monitoramento em tempo real. Desde 2023, operações integradas também resultaram na apreensão de 34 mil armas brancas e objetos cortantes, por meio da Operação Corte Zero, contribuindo para o reordenamento do espaço urbano.

MORADIA COM DIGNIDADE

As ações estruturantes do Governo de São Paulo incluem políticas de habitação e requalificação urbana no centro da capital. Um dos principais exemplos é o reassentamento das famílias da Favela do Moinho, nos Campos Elíseos. Até 22 de janeiro deste ano, 838 mudanças já haviam sido realizadas, sendo que 776 famílias já selecionaram suas unidades de destino. Destas, 237 já estão em moradias definitivas.

O reassentamento integra o Casa Paulista, maior programa habitacional da história do Estado. Embora as mudanças tenham avançado ao longo de 2025, o trabalho começou em setembro do ano anterior, com cadastramento detalhado das famílias, escuta social e mapeamento das condições de risco e insalubridade.

O diagnóstico apontou problemas estruturais graves, como presença de ratos, relatos de tuberculose, uso de materiais inflamáveis, ligações elétricas clandestinas e apenas uma via de entrada e saída, elevando significativamente o risco de incêndios e acidentes.

Para atender todas as famílias, a CDHU mapeou cerca de 1,5 mil unidades habitacionais prontas ou em construção, mais de mil delas na região central, além da possibilidade de livre escolha de imóveis em qualquer município do Estado, dentro dos parâmetros do programa. Os imóveis são gratuitos para famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil, conforme parceria com o Ministério das Cidades.

Entre as beneficiadas está Fernanda Tatiana Pereira da Silva, de 43 anos, que deixou a Favela do Moinho após cinco anos e passou a morar em um apartamento no Parque Peruche, na Zona Norte, com o filho e o gato de estimação. “Consegui meu apartamento com muita oração e luta. Estou contente porque vou sair do aluguel. Minha vida vai melhorar. Estou indo para o que é meu. É do jeito que eu pedi a Deus”, afirmou, emocionada.

“Estamos falando de um verdadeiro resgate social”, afirma o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco. “Essas famílias viviam em condições extremamente precárias, expostas a riscos diários. O reassentamento permite não apenas a requalificação urbana da área, mas, sobretudo, o desenvolvimento humano, garantindo dignidade, segurança e autonomia para quem viveu por décadas sem acesso à moradia adequada.”

NOVO CENTRO ADMINISTRATIVO

Outra iniciativa estratégica é a construção do Novo Centro Administrativo do Estado, nos Campos Elíseos. O complexo reunirá sete edifícios e dez torres, concentrando secretarias e órgãos estaduais, com espaço para cerca de 22 mil servidores. O projeto inclui equipamentos culturais e de convivência, como teatro, auditórios e salas multiuso, criando um espaço cívico no coração da cidade.

Estão previstos ainda o restauro de 17 imóveis tombados, a ampliação em mais de 40% das áreas verdes do Parque Princesa Isabel e a criação de 25 mil metros quadrados destinados a comércio e serviços, impulsionando o desenvolvimento urbano e a economia local. O leilão da Parceria Público-Privada (PPP) do Novo Centro Administrativo Campos Elíseos acontece no dia 26 de fevereiro.