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Docentes da Unesp Araraquara lamentam a morte de Alfredo Bosi

Professores universitários Zé Pedro Antunes e Maria Lúcia Outeiro Fernandes comentam o legado de um dos mais importantes críticos literários do Brasil, integrante da Academia Brasileira de Letras.

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Aos 83 anos, Bosi foi mais uma vítima da COVID-19. (Foto: Divulgação)

“Hoje, o Brasil inteiro vai chorar e se despedir de um Mestre que foi um dos responsáveis pela cabeça de todos os professores de Literatura deste país”. É dessa maneira que a professora de litetura da Unesp Araraquara Maria Lúcia Outeiro Fernandes, resume, em carta aberta no seu facebook, a morte, nesta quarta-feira (07/04), do professor e crítico literário Alfredo Bosi, aos 83 anos, vítima da COVID-19.

Referência em literatura brasileira e italiana, Bosi era professor titular aposentado do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP) e o sétimo componente a ocupar a cadeira de n° 12 da Academia Brasileira de Letras.

Maria Lúcia também conta que, durante seu mestrado na USP, ela não fez nenhuma disciplina com Bosi, embora tenha assistido a algumas palestras em eventos e cursos de extensão. Mais tarde, já na Unesp, teve contato com sua filha, Viviana Bosi, com quem cultivou amizade.

“Infelizmente, porém, ela foi embora para a USP, nós nos afastamos, eu na Portuguesa e ela na Teoria, nem nos congressos a gente se via mais. Acabei nunca conhecendo seu pai, pessoalmente”, escreve.

O professor universitário Zé Pedro Antunes. (Foto: Reprodução)

Companheiro de ensino na universidade, Zé Pedro Antunes, professor aposentado do Departamento de Letras Modernas, completa à reportagem do Portal RCIA. “Ele é, talvez, o maior luminar da cultura italiana entre nós. Uma espécie de guru de todos os estudiosos das letras no país, com obras de grande relevo”, completa Antunes.

Inclusive, uma das obras mais célebres de Bosi, “História Concisa da Literatura Brasileira”, de 1970, marcou a vida do, à época, ainda estudante de Letras: em Assis, em sua primeira aula de Literatura Brasileira com o prof. Carlos Erivani Fantinati, um susto: um exemplar de “História Concisa da Literatura Brasileira” e a notícia de que teria 15 dias para realizar essa leitura.

“Já imaginaram uma tarefa como essa para mentes pouco ou nada afeitas aos livros? Mas tomamos aquilo como um desafio. E conseguimos. Não sei quanto nos terá ficado daquela leitura a toque de caixa e sem o preparo necessário. Mas algo ficaria para sempre em nós: era possível ler um catatau daqueles inteiro. A partir daí nem o “Grande Sertão: Veredas” nos assustaria mais adiante”, finaliza Zé Pedro Antunes.

(Por Matheus Vieira)