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Ana Virgínia Leal é a prova de que tem espaço para mulheres na pecuária

Ela administra uma das fazendas premiadas pela criação da raça nelore, faz parte do grupo de Mulheres do Agro de Araraquara e enfrentou o status quo para realizar seu sonho

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Ana Virginia Leal é zootecnista e também uma das mulheres do agro

Simpática, sorridente e arrojada, a mineira Ana Virginia Leal participou do 1° Encontro Nacional de Mulheres do Agro que aconteceu no dia 21 de outubro, na fazenda Jangada Brava, próximo a cidade de Boa Esperança do Sul.  Vamos conhecer um pouco da história de Virginia Leal, que administra uma das fazendas premiadas pela criação da raça nelore.  Provando assim, que o lugar das mulheres também é na pecuária.

“Eu sou Ana Virginia Leal. Para uns, Virginia Leal, para outros, Ana, e para pouquíssimos, Ana Virgínia. Tenho 39 anos, sou zootecnista, formada pela Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) desde 2004. Vim de uma família mineira muito humilde, mas que nunca mediu esforços para que eu pudesse estudar nas melhores escolas da cidade. Sempre correram atrás de bolsas de estudo, mas queriam que eu fosse médica, pois acreditavam que assim eu poderia melhorar o status da família e a nossa condição financeira”, disse ela.

Virginia e um dos Nelores da fazenda que gerencia. Foto: Arquivo pessoal

Sempre que falamos sobre pessoas inspiradoras, acabamos falando de pessoas que mudaram o status quo, e na história da Ana Virginia vemos isso: uma mulher que não tinha medo de quebrar barreiras para alcançar os seus sonhos, mesmo que isso fosse, de certa forma, enfrentar as incertezas do caminho. E mesmo a pecuária daquela época não sendo vista como “lugar de mulher”, aquela mineira que veio de família humilde já tinha escolhido seu lugar, e era na pecuária.

“Quando revelei para minha família que gostaria de fazer zootecnia, não tive no primeiro momento o apoio familiar. Era uma questão de proteção, pois não achavam que seria uma profissão para mulher e também não tínhamos ligação nenhuma com o agro. Mas mesmo assim insisti no meu sonho e fui em frente”, ressalta Virginia

Mesmo sem o apoio inicial da família e sem qualquer vínculo direto com o agronegócio, ela foi capaz de trilhar o caminho que a levou ao então cargo que ocupa hoje, em uma grande fazenda de criação de nelore de elite.

Mesmo diante das adversidades, ela seguiu seu sonho. Foto: Arquivo Pessoal

“Comecei minha carreira no agro ainda durante a faculdade, no ano de 2001, trabalhando com viveiro de mudas ornamentais e florestais e em granja de coelhos voltada para produção de carne. Esses trabalhos foram importantes para que eu pudesse pagar a faculdade. Um mês antes da formatura, comecei a trabalhar com pecuária de corte e naveguei durante esses 16 anos em vários sistemas dentro da porteira”, lembra ela.

Fora da porteira, Ana Virginia fui professora durante três anos de curso técnico de zootecnia, tempo este onde aprendeu que a educação é o caminho para as grandes conquistas no agro.

“No campo, trabalhei com provas de ganho de peso de raças zebuínas, e hoje sou zootecnista e gerente geral de uma fazenda onde trabalho com sistema de cria da raça angus e com pecuária seletiva de bovinos da raça nelore.”

Com uma história marcante no agro tanto dentro como fora da porteira, Ana Virgínia compartilha dois momentos mais marcantes da sua trajetória;

“Fora da porteira foi quando fui convidada por alunos de curso técnico de Zootecnia para ser paraninfa da turma, pois o carinho dos ex-alunos me mostrou que estava no caminho certo.

Um segundo momento marcante foi quando a fazenda onde trabalho foi destaque no Ranking Nacional da Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), recebendo a medalha de prata na categoria Melhor Criador de Nelore, e medalha de ouro como Melhor Criador de Nelore do estado de São Paulo, mostrando que também estava no caminho correto.”

Virginia fala ainda sobre a importância da representatividade feminina no setor e de como os grupos de mulheres tem feito a diferença no agronegócio, contribuindo cada vez mais para a inserção de mulheres no meio.

“Acho que o crescimento dos movimentos de mulheres do agro vem mostrar como a mulher está disposta a contribuir e a ganhar seu espaço no agro. Antes, estávamos sozinhas e enfrentando muito mais dificuldades, e hoje encontramos movimentos onde podemos nos apoiar, inspirar e trocar informações contribuindo para um caminho menos cheio de pedras. Faço parte do grupo Mulheres do Agro de Araraquara (SP), criado pela produtora rural Anna Paula Nunes.”

Virginia participou do 1° Encontro Nacional de Mulheres do Agro. Foto: RCIA

E, por fim, deixa uma mensagem para as meninas e mulheres do agro:

“Para as meninas que desejam ingressar no agro, eu digo: venham logo! Sejam entusiasmadas; estudem muito o querem fazer; procurem alguém para se inspirar e tenha um (a) mentor (a)… e sejam sempre gratas!

Para quem já está no agro, sempre digo: vocês são excepcionais! Procurem sempre buscar conhecimento e seja inspiração para alguém. Seja luz e levem luz!

Para todas, eu digo: não desistam nunca! “Poder contribuir para produção de alimento é um dos dons mais nobres do ser humano”, finalizou.

Fonte : Canal Rural