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Briga política e condenação 23 anos depois, pelo duplo homicídio no Jardim Ieda

Naquele ano, 2000, as eleições envolvendo Valdemar de Santi e Edinho Silva, estavam polarizadas; discussões e brigas em bares eram constantes, porém, uma delas marcou a história política da cidade, tendo ocorrido um duplo homicídio no Jardim Ieda. Vinte e três anos depois um dos assassinos foi encontrado e sentenciado.

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Na época, corrida às bancas em busca de informações sobre o crime

Douglas Altair Thomaz acaba de ser condenado a 16 anos de prisão, acusado de assassinar dois irmãos no Jardim Ieda, em Araraquara. A ocorrência contudo teve registro em 3 de outubro de 2000, tendo muita repercussão, pois teria acontecido por questões políticas, começando em um comício que estava sendo realizado no bairro.

Naquele ano as eleições se apresentavam acirradas e polarizadas por eleitores de Waldemar de Santi e Edinho Silva, que após ser vereador, pela primeira vez disputava a Prefeitura do Município de Araraquara. Na verdade, Edinho quebraria o conservadorismo político na cidade e a disputa protagonizou pela primeira vez, direita e esquerda. Edinho venceu.

Num dos últimos comícios, houve uma discussão e agressões entre um irmão de Douglas e uma das vítimas; no dia da eleição, primeiro de outubro, nova briga entre as partes desta feita no interior de um bar, ainda no Jardim Ieda, quando eleitores se provocaram na comemoração da vitória de Edinho nas urnas.

Dois dias depois, 03 de outubro, Douglas, hoje com 47 anos, considerado o autor dos assassinatos foi com o amigo Jamiro Lourenço, até a até a moradia de Adriano Cordeiro Pinho e Jeová de Oliveira Pinho, que na época tinham 40 e 26 anos. Eles moravam na Avenida Darci Santos Bezerra, no Ieda.

Nova discussão começou, desta feita entre quatro pessoas; Douglas, dizia estar ali para defender o seu irmão que fora vítima das agressões no bar. Ele (23 anos) e Jamiro (27 anos) durante o desentendimento, assassinaram Adriano e Jeová com tiros e golpes de facão, fugindo em seguida.

Na época, o delegado já aposentado Antônio Luiz de Andrade que dirigiu as investigações, desvendou o crime e pediu a prisão preventiva dos acusados; Jamiro foi preso quatro anos depois e Douglas fugiu para a Minas Gerais, na região de Montes Claros, com o processo que o envolvia suspenso.

Encontrado contudo, pelas autoridades policiais, 23 anos depois foi condenado pelo duplo homicídio ao cumprimento da pena imposta pela Justiça – 16 anos. Ele, em cidade mineira, acabou constituindo família, trabalhando por 17 anos como trabalhador rural no cultivo de produtos hortifrutigranjeiros.

Agora, recolhido em um presídio em Montes Claros, seu advogado Mário Sérgio Ota disse que vai recorrer da decisão, sob a alegação de que o envolvimento direto do crime foi com o irmão de Douglas: “Pelo menos vou tentar reduzir a pena anunciada”, comentou.

O seu companheiro Jamiro, participante do duplo assassinato, hoje está com 50 anos, tendo sido preso em 2004 e solto 6 anos depois após cumprir parte da pena em regime fechado. Ele voltou a cometer delitos e está cumprindo outra condenação.