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Consumidor brasileiro deixa otimismo para 2022

Com a pandemia, maioria acredita que o desemprego aumentará no próximo ano e o sentimento de preocupação com o país está elevado, de acordo com pesquisa Acrefi/Kantar

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Registrada desde 2017, a tendência de queda do pessimismo retornou para os níveis de junho de 2019: 51% avaliam a situação do Brasil ruim e péssima

Menos dispostos a contrair dívidas e convictos de que o desemprego deve aumentar nos próximos meses, os consumidores brasileiros acreditam que a situação econômica e política do país só irá melhorar em 2022.

Esse é o panorama revelado pela nova edição da pesquisa Perspectivas 2020 sobre a a expectativa dos brasileiros com o cenário político e social, realizada pela parceria Acrefi/Kantar, divulgada nesta segunda-feira (16/11).

De acordo com o material, a maioria dos entrevistados (32%) acredita que a situação econômica só vai melhorar a partir do segundo semestre de 2022. Outros 29% também apostam numa melhora a partir do início de 2022.

Ainda mais pessimistas, 14% dos entrevistados não esperam nenhum tipo de melhora nos próximos quatro anos; 14% não sabem o que esperar e apenas 11% já acreditam em alguma melhora a partir do primeiro semestre de 2021.

Grande parte desse pessimismo está relacionado ao desemprego: 67% dos participantes acreditam que o desemprego irá aumentar nos próximos meses. Em 2019, esse percentual era de 55%, de acordo com a pesquisa.

Luís Eduardo da Costa Carvalho, presidente da Acrefi, destaca que essa elevação caminha para retornar aos patamares de 2017, quando a mesma pesquisa registrou que 77% dos entrevistados esperavam alta no desemprego e a taxa de desemprego média ficou em 12,7%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Registrada desde 2017, a tendência de queda do pessimismo retornou para os níveis de junho de 2019: 51% avaliam a situação do Brasil ruim e péssima.

Além disso, o sentimento de preocupação com o país está elevado – 56% registraram pontos de preocupação. As perspectivas para 2021 também acompanham esse sentimento: os entrevistados acreditam que o País não deve crescer no próximo ano, e a propensão a fazer financiamentos é menor.

SOBRE CONSUMO

A importância do carro na lista de aquisições diminuiu expressivamente, segundo a pesquisa. Ao responder a pergunta “Quais desses itens você financiaria em 2021?”, somente 40% enxergaram o item como prioridade – queda de 16% comparado com ano anterior. Em contrapartida, com 43%, imóvel ganhou importância na atual pesquisa.

Para Carvalho, há um movimento, até por conta da pandemia, de readequação do consumo. Quem possui veículo próprio – até por uma necessidade-, talvez venda esse ativo em primeiro lugar, diz o presidente da Acrefi.

“Os que puderem andar de bicicleta, patinete ou mesmo a pé recorrerão a esse recurso. Mas até por segurança, no segundo momento, a compra do automóvel ganhará força”.

Para ele, o dado de que 58% das pesssoas não têm contas em atraso é algo extremamente positivo. “Todos acreditavam que o cenário de retomada se alongaria, mas começou a acontecer um movimento de reversão, de tração. Isso até surpreendeu, positivamente, o mercado financeiro”, diz.

Na opinião dos brasileiros, saúde deve ser a principal prioridade do governo, com 28% (maior número da série histórica); emprego com 16% ficou em segundo lugar. Outro ponto que chamou atenção foi que metade da população (48%) recebeu algum auxílio durante a pandemia.