
Inaugurado em 1989, o Tropical Shopping foi o primeiro e, por um longo período, o único shopping em Araraquara. Entretanto, com a diminuição do movimento nas lojas, o shopping encerrou suas atividades em 2007. Abandonado, ele volta ao cenário seguindo sua lamentável peregrinação no mundo econômico e dos negócios imobiliários.
Considerado um centro comercial ativo com lojas e serviços, e o Tropical foi um ponto de referência histórico agora abandonado, se transformando em problema urbano, e cuja demolição foi iniciada recentemente (Janeiro/2026) para resolver a situação, pois atrai usuários de drogas e vândalos, gerando insegurança.
O retorno aos noticiários se deve ao acesso que o RCIA teve a documentos que mostram ser ele – Banco Master – proprietário do antigo Tropical Shopping. O Master se tornou um caso de grande repercussão no sistema financeiro brasileiro devido a uma série de fraudes bilionárias e à consequente liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC).
A aquisição do Tropical Shopping pelo Master teria se dado por conta de uma transação feita pela Langhirano Empreendimentos e Participações (antiga Laufer) em 2014 junto ao Banco Banife (Banco Internacional do Funchal S/A) sendo acordado “pelo valor simbólico de um real”, justificando o Banif o preço com o facto de haver “passivos e contingências de natureza legal, financeira e fiscal, que atingem ainda um volume muito considerável”.
Com isso, o Tropical Shopping passou para as mãos do Banco Master que vinha tentando junto à Prefeitura Municipal negociar o valor dos impostos que chegam praticamente ao mesmo valor do empreendimento, cerca de R$ 20 milhões. No decorrer do ano passado contudo estava evidente a investigação da Polícia Federal sobre as transações supostamente fraudulentas do Master e do seu presidente Daniel Vorcaro.

Embora o BC tenha afirmado que o banco não representava um risco sistêmico relevante em termos financeiros (detinha apenas 0,57% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional/SFN), a crise gerou um grande abalo na credibilidade e na confiança no sistema financeiro.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por “grave crise de liquidez” e violações de normas, após vetar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). As negociações com a Prefeitura em Araraquara não avançaram por conta do escândalo.
Soube-se então que as investigações da Polícia Federal (PF), parte da “Operação Compliance Zero”, apontam suspeitas de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões. O esquema envolveria empréstimos fictícios e uso de “empresas laranjas” e fundos de gestoras, como a Reag, para ocultar a origem e o destino do dinheiro.
A Reag, é um grupo liderado por João Carlos Mansur também gestora de fundos de investimentos uma gestora de fundos relevante no Brasil. Sob a aba da Reag está a Revee que criou em Araraquara o Consórcio Nova Fonte para administrar o Gigantão, Arena da Fonte e o Cear, por 35 anos, tendo vencido uma concorrência (participante único), no ano passado com aprovação da Câmara Municipal.
Recentemente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos após a Polícia Federal realizar operações de busca e apreensão contra Mansur, no âmbito de investigações sobre supostas operações fraudulentas em conjunto com o Banco Master.
A empresa e seu fundador estão sob suspeita de envolvimento em esquemas de blindagem de patrimônio e lavagem de dinheiro, com possíveis ligações até mesmo com o PCC (Primeiro Comando da Capital), o que ele nega. Mansur já havia sido preso em 2020, condenado por gestão fraudulenta relacionada a um caso anterior envolvendo a Mappin Previdência Privada, da qual também era responsável.

Já o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e outros executivos foram presos (e posteriormente soltos pela Justiça) e tiveram bens e valores bloqueados, superando R$ 5,7 bilhões. É bem provável que entre os bens bloqueados está o Tropical Shopping, já que nas certidões aparece o nome do Banco Master como proprietário de cerca de 95% do empreendimento.
Pelo menos cinco lojas (salões) ainda pertencem a antigos proprietários do Tropical Shopping que não aceitaram negociar seus imóveis quando da transação entre a Langhirano Empreendimentos e Participações (antiga Laufer) com o Banife (Banco Português).













