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Morre o cantor Nilton César, com duas passagens por Araraquara, em uma delas trouxe Evaldo Braga

Nilton César morreu nesta quarta-feira (28), aos 86 anos, em São Paulo. Mineiro, começou sua vida artística no final dos anos 1960, na esteira dos cantores românticos da Jovem Guarda e em sua carreira passou duas vezes por Araraquara, uma delas num Baile de Reveillon organizado pela Escola Industrial, hoje Colégio Técnico em 1970 junto com Evaldo Braga.

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As duas etapas de uma vida brilhante como artista

Morreu na manhã desta quarta-feira (28), o cantor Nilton César, nome artístico de Nilton Guimarães. O astro que marcou a história da música brasileira tinha 86 anos e deixa um grande legado de talento e memórias para toda uma geração. Ele estava internado em um hospital de São Paulo, a causa da morte, segundo consta foi o agravamento da diabetes.

O cantor era filho de fazendeiros e, como tal, se empenhou nos estudos para ser contador e assim administrar os negócios da família. Mas, ao fixar residência para estudar no Rio de Janeiro e depois em São Paulo, mudou de ideia.

Em 1960, Nilton César estava dando seus primeiros passos como calouro, apresentando-se em programas da TV-Rio, imitando o astro Orlando Dias. O desempenho do calouro despertou interesse dos telespectadores e dos produtores da tevê que lhe premiavam constantemente com abajur, canetas, ferro elétrico, torradeira etc.. Foram tantos os prêmios que Nilton César precisou alugar carros por diversas vezes para transportá-los até sua casa, no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, o futuro do cantor estava atrelado ao de outro grande ídolo na época: Moacyr Franco, que tinha uma tia que era casada com um tio de Nilton César e uma carta que o rapaz trazia com recomendações do tio dirigidas a Moacyr Franco, serviu-lhe como chave para entrar no mundo artístico.

Por intermédio de Moacyr Franco, Nilton César conheceu o acordeonista Carlinhos Mafasoli que gostou do estilo de Nilton e o apresentou ao diretor artístico da gravadora RGE. Contratado pelo maestro Pocho — Ruben Perez –, Nilton César gravou dois discos de 78 rotações. Não foi um estouro fenomenal, mas repercutiu o bastante, despertando o interesse de Palmeira, diretor artístico da Continental Discos, que convidou o cantor a ingressar na gravadora, gravando a guarânia “Choro Por Gostar de Alguém”. Com essa música, Nilton César conquistou o sucesso, partindo para o primeiro LP que levava o nome do artista. O disco agradou ao público e principalmente a gravadora que levou Nilton aos estúdios para gravar mais um LP, intitulado de “Música e Amor”. O êxito foi total. A música “Casa Vazia” caiu no gosto popular, fazendo o nome do cantor ser conhecido no Brasil.

As oportunidades decorrentes do sucesso não paravam e Palmeira convidou Nilton César para gravar mais um LP (Nilton César Com Alma e Coração), disco decisivo na carreira do cantor. Do disco faz parte a antológica “Professor Apaixonado”, música que levou o artista a se apresentar em todo o território nacional. “Professor Apaixonado” consta dentre as músicas mais tocadas do ano de 1965 e durante muito tempo, o cantor ficou conhecido como o “Professor Apaixonado”.

Em 1969, começou uma nova etapa na carreira do cantor. As rádios tocavam incessantemente a canção “Férias na Índia”. A música foi sucesso total, vendeu mais de 500 mil cópias, e deu a Nilton César discos de ouro e outros prêmios, projetando o cantor, de vez, como intérprete romântico. (Memorial da TV / Mara Oliveira e Igor Ramos).

PASSAGEM POR ARARAQUARA

Por duas vezes, Nilton César se apresentou em Araraquara: a primeira delas em 1969, no salão de festas do Asilo de Mendicidade, na Avenida D. Pedro II, em frente à sede do Clube Araraquarense, para um público estimado em duas mil pessoas. O cantor estava no auge da sua carreira e teve o acompanhamento do Conjunto The Jungles, um dos mais badalados grupos musicais da época.

No ano seguinte, ainda vivendo o brilhantismo da sua carreira, Nilton César foi contratado para uma festa de réveillon organizada pela Escola Industrial “Professora Anna de Oliveira Ferraz”, graças ao trabalho de organização realizado pelo professor Alzemiro Ianelli, então diretor da escola e renda revertida para a Associação de Pais e Mestres.

O cantor neste show-baile de réveillon em 1970 veio acompanhado de um amigo chamado Evaldo Braga que estava sendo lançado no mercado artístico; ambos se apresentaram no então Hospital Sanatório Nestor Goulart Reis, graciosamente, para os pacientes internados, e Nilton César anunciou o colega-cantor como revelação da música brega no Brasil. E acertou: Evaldo Braga pouco tempo depois estourava com Sorria Meu Bem e Cruz Que Carrego.

Ainda no dia primeiro de janeiro em 1970, os dois cantores – Nilton César e Evaldo Braga – almoçaram na casa dos pais do jornalista Ivan Roberto Peroni (Domingos e Aparecida), na Rua Padre Duarte, entre as avenidas 36 (Padre Francisco Salles Colturato) e 34 (Avenida Frei Luíz Santana). Foi um dia de festa no bairro.